“Vaticano S. A.” e os negócios de Deus (1976-1978)

“Esses tais são falsos apóstolos, operários desonestos, que se disfarçam em apóstolos de Cristo. E não é de estranhar, porque o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Por isso, não é de admirar que os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça. O seu fim, porém, será segundo as suas obras.”
(2ª Carta aos Coríntios 11, 13-15)

O Istituto per le Opere di Religione (IOR), vulgarmente conhecido como “Banco Vaticano”, é um dos organismos, juntamente com os seus serviços de espionagem, mais secretos de todos os departamentos papais. Atravessando as portas de Santa Ana e à direita da Colunata de Bernini, deixando a igreja de Santa Ana à direita e os pavilhões da Guarda Suíça à esquerda, encontra-se o edifício onde está instalado o IOR. O torreão foi construído por ordem do papa Nicolau V há quase seiscentos e cinquenta anos, como parte dos planos defensivos da Santa Sé. Apenas um pequeno piquete da Guarda Suíça protege ainda hoje a sua entrada de mármore e as suas portas de bronze hermeticamente fechadas e que apenas podem ser abertas a alguns escolhidos e ilustres membros da Cúria Romana.

O Banco Vaticano foi fonte de inúmeros escândalos e esteve envolvido na perda de milhões de dólares, falências bancárias, venda de armas a países em conflito, criação de sociedades fantasmas em paraísos fiscais, financiamento de golpes de Estado, lavagem de dinheiro da Máfia e “suicídios” misteriosos. O IOR conseguiu violar centenas de leis financeiras internacionais sem que nenhum dos seus dirigentes fosse julgado em qualquer tipo de tribunal terreno. Desde a sua fundação, o IOR não é um departamento oficial do Estado da Cidade do Vaticano. Existe como entidade, mas sem uma ligação clara com os assuntos eclesiásticos ou com outros organismos da Santa Sé, sendo o Sumo Pontífice o seu único órgão de controlo.
Ao contrário de outras instituições financeiras internacionais, o Banco Vaticano não é fiscalizado por uma agência interna ou externa, nem existem registos escritos das suas operações. Por exemplo, em 1996, o cardeal Edmundo Szoka, auditor interno da Santa Sé, informou vários investigadores de que ele tinha qualquer espécie de autoridade sobre o Banco Vaticano e acrescentou que desconhecia por completo as suas actuações ou o sistema de operar.
Em 1990, o Estado do Vaticano declarou um défice de 78 milhões de dólares, enquanto o Banco Vaticano “declarou” de forma extra-oficial ter lucros nesse ano que ultrapassavam os dez mil milhões de dólares.
Em 1967, o papa Paulo VI criou um gabinete de contabilidade geral a que o Vaticano chamou Prefeitura de Assuntos Económicos da Santa Sé. O Sumo Pontífice entregou a direcção a um seu amigo, o cardeal Egidio Vagnozzi, mas poucos meses depois ele foi demitido. Parece que Vagnozzi descobriu as estranhas relações entre o papa e o chamado “banqueiro da Máfia”, Michele Sindona. Curiosamente, Egidio Vagnozzi foi impedido de falar sobre qualquer assunto relacionado com a Prefeitura por causa do famoso “Segredo Pontifício”.
Aquele que era responsável pela direcção da Prefeitura descobriu que milhões de dólares de origem desconhecida eram depositados todas as semanas nos cofres do Banco Vaticano sem nenhum tipo de explicação e, com a mesma rapidez com que entrava, logo o dinheiro saía pela porta traseira para contas privadas em bancos suíços e para empresas do Grupo Sindona. Este dinheiro servia para financiar revoltas e golpes de Estado, como o que aconteceu na Grécia em Abril de 1967.
A loja Propaganda 2, intimamente ligada ao Vaticano e aos seus serviços secretos, concentrara toda a sua atenção nas eleições gregas que se aproximavam. O favorito era o líder da esquerda Andreas Papandreu, um inimigo político do monarca Constantino II, rei da Grécia e comandante-chefe dos seus exércitos. As sondagens demonstravam que Papandreu conseguiria o poder, enquanto o exército receava que entregasse o país aos comunistas. O coronel Papadopoulos garantiu que se tal acontecesse a Grécia seria arrastada para uma guerra civil.
Por volta de finais desse ano, o Continental Bank of Illinois, que pertencia a Sindona, fez uma transferência de quatro milhões de dólares para a Banca Privata Finanziaria, dentro da órbita vaticana. Quando o dinheiro foi recebido, o próprio Michele Sindona encarregou um agente da Santa Aliança de levantar esses fundos e entregá-los pessoalmente ao coronel Papadopoulos. O dinheiro foi depositado numa conta-corrente em nome da imobiliária Helleniki Tecniki, controlada pelo exército grego e avalizada pelo próprio Banco Central da Grécia.
A Santa Aliança, em associação com Michele Sindona, Licio Gelli e a loja Propaganda 2, decidiu financiar o golpe de Estado para evitar a chegada da esquerda ao poder. Os investigadores não estão de acordo se os serviços secretos do Vaticano foram um simples instrumento de Gelli e Sindona ou se a Santa Aliança foi realmente quem elaborou a chamada “Operação Tatoi” e Licio Gelli e Michele Sindona foram somente as fontes de financiamento.
A verdade é que, a 21 de Abril de 1967, um grupo de coronéis realizou um golpe de Estado e decretou a entrada em vigor da lei marcial, a Constituição foi suspensa e foi desencadeada uma violenta repressão contra os movimentos democráticos e em especial contra os sindicatos e as organizações comunistas. O líder socialista Andreas Papandreu foi condenado a nove anos de prisão.
Em Dezembro do mesmo ano, o rei Constantino tentou derrubar a Junta, mas fracassou e teve de se exilar em Roma com toda a família. Os militares nomearam o general Zoitakis como presidente e Papadopoulos como primeiro-ministro. O regime dos “coronéis”, como foi conhecido, continuou a receber a ajuda dos Estados Unidos, da loja maçónica P-2 e de grandes empresários gregos – Aristóteles Onassis e Stavros Niarchos.
Devido ao êxito obtido na Grécia, Michele Sindona, com a ajuda dos fundos vaticanos, através da rede montada por ele mesmo para o IOR, e de alguns agentes “livres” da Santa Aliança, decidiu financiar os grupos de extrema-direita. Poucos anos depois, começou a aparecer em cena esse misterioso Paul Casimir Marcinkus, um homem que estava ligado aos serviços secretos do Vaticano.
Nascido nos arredores de Chicago em 1922, fez os seus estudos religiosos nos Estados Unidos e mais tarde mudou-se para Roma, onde ingressou na Universidade Gregoriana e se formou em Direito Canónico. Em 1952, Marcinkus entrou na Secretaria de Estado e foi colocado nas nunciaturas do Canadá e da Bolívia para se tornar chefe de segurança do papa Paulo VI. Foi neste período na Secretaria de Estado que Marcinkus estabeleceu estreitas relações com os serviços secretos do Vaticano e com importantes elementos da Santa Aliança, que anos mais tarde lhe hão-de prestar valiosa ajuda. Um desses agentes implicados no futuro escândalo do Banco Ambrosiano foi o jesuíta polaco Kazimierz Przydatek.
Em 1969, Marcinkus foi consagrado bispo pelo papa Paulo VI e na manhã seguinte “consagrado” também secretário do Banco Vaticano. Dois anos depois, e de forma surpreendente, o papa Paulo VI premiou a fidelidade de Paul Marcinkus ao nomeá-lo como responsável máximo do IOR, dando assim início a uma fulgurante carreira financeira. O seu círculo mais íntimo era formado por Michele Sindona, Roberto Calvi, Umberto Ortolani e Licio Gelli, todos eles relacionados com a Máfia (a família Gambino), a loja maçónica Propaganda 2 e as finanças do Vaticano.
Marcinkus utilizou a Santa Aliança em proveito próprio como fonte de informação. Um relatório do serviço secreto do Vaticano, em poder de Paul Marcinkus, demonstrava que Sindona tinha criado, certamente com fundos da Santa Sé, uma holding no Liechenstein chamada Fasco AG e que através dela adquirira em Milão a Banca Privada Finanziaria (BPF). O que esse relatório não esclarecia era que com uma parte dos lucros de tal compra ele criou a Casa delia Madonnina. O então cardeal Montini, arcebispo de Milão, precisava de fundos e Sindona ofereceu-lhos. No total, dois milhões e meio de dólares foram para os cofres do arcebispado para financiar a instituição religiosa.
Marcinkus saberia anos depois que esse dinheiro não procedia dos lucros da aquisição da BPF, mas da lavagem de dinheiro sujo oriundo da Máfia siciliana, principalmente do tráfico internacional de heroína. A partir daí, e por intermédio do cardeal Montini, Sindona pôde criar uma importante carteira de clientes que ele próprio assessorava em assuntos relativos a impostos, a investimentos e até a evasão fiscal.
Assim, pouco a pouco, os negócios do Banco Vaticano e dos seus “assessores” começaram a ser cada vez mais perigosos, colocando em graves dificuldade não só as várias instituições financeiras, mas também os sistemas económicos do próprio Vaticano e da Itália. Um relatório da CIA desses anos, e que caiu em poder da Santa Aliança, pormenorizava as extensas relações do banqueiro de Paulo VI com a família Gambino, dos Estados Unidos, e com as famílias Inzerillo e Spatola, da Sicília. O dossier com cerca de vinte páginas explicava bem as ligações de Cario Gambino com as famílias Colombo, Bonanno, Lucchese e Genovese, todas elas envolvidas na manipulação, tráfico e venda de heroína, cocaína e marijuana. O relatório dizia ainda que Sindona depositava parte dos lucros da droga, prostituição, fraude bancária, pornografia e usura em contas bancárias secretas na Suíça, Liechenstein e Beirute. A verdade é que Michele Sindona não era apenas o assessor financeiro do papa Paulo VI e do Vaticano, mas era também de famílias mafiosas. Mas foi Marcinkus, ao que parece, quem ordenara a destruição do relatório sobre o banqueiro que a Santa Aliança recebeu da CIA. Anos depois, o responsável do IOR recordaria isso mesmo ao próprio Sindona pouco antes da sua queda.
Entretanto, começava a enfraquecer a saúde do grande protector das escuras manobras financeiras do Vaticano, situação que tem a sua origem quando Paulo VI é operado à próstata em 1968, aos setenta e um anos. Em 1978, o Sumo Pontífice foi muito afectado por dois acontecimentos que marcariam os seus últimos meses de vida: o sequestro e assassínio do líder da democracia-cristã Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas e a aprovação da lei do aborto em Itália.
No sábado 5 de Agosto, depois de jantar, rezou o rosário na sua capela privada e, antes de se deitar, assinou vários documentos segundo parece relacionados com assuntos do Banco Vaticano. Na manhã seguinte, 6 de Agosto, não pôde celebrar missa, devido ao estado em que estava, e à tarde a sua saúde agravou-se. Os médicos do Vaticano diagnosticaram um grave edema pulmonar e pouco depois já não respondia aos cuidados médicos acabando por falecer.
A partir desse momento, a máquina do Vaticano pôs-se em marcha para ser escolhido um novo papa. As conspirações palacianas estavam preparadas para a convocatória do novo conclave, no qual se devia eleger o sucessor do Sumo Pontífice falecido.
Os departamentos do Banco Vaticano começaram a queimar muitos documentos para atenuar uma possível investigação face à chegada de um papa mais liberal e dado que a pessoas como Marcinkus, Gelli, Calvi e Sindona não lhes seria muito fácil explicar ao novo papa muitos desses actos financeiros realizados em nome do Vaticano, do papa e de Deus.
A 10 de Agosto, o cardeal Albino Luciani, patriarca de Veneza, decidiu partir para Roma com o propósito de participar no conclave que deveria escolher o sucessor de Paulo VI, mas a verdade é que o seu nome não figurava sequer entre os favoritos e, portanto, manteve-se tranquilo na sua cela número 60.
Em apenas nove horas de votações, cento e dez cardeais chegaram a acordo por aclamação sobre a pessoa que devia assumir o ministério papal. Foi nas reuniões anteriores ao conclave que o cardeal Giovanni Benelli comentou na presença dos surpreendidos cardeais Albino Luciani, Stefan Wyszynski, primaz da Polónia, e Laszlo Lekai, primaz da Hungria, que o próximo papa se defrontaria com sérias dificuldades ao chegar ao trono de São Pedro devido à situação económica e financeira da Igreja. Benelli disse aos três cardeais que estavam à sua volta que a situação “não apenas é crítica, como está prestes a rebentar”.
O cardeal camarlengo, Jean Villot, que estava perto, escutou as advertências do cardeal Benelli e pediu silêncio. De imediato chamou o prefeito dos Assuntos Económicos do Vaticano, que era o cardeal Egidio Vagnozzi, e pediu-lhe que com a ajuda da Santa Aliança preparasse um relatório sobre a situação “tão crítica” a que o cardeal Benelli se referia.
Vagnozzi sabia até onde podia chegar com a sua investigação, mas que nunca chegaria a conhecer os fundos escuros do IOR dirigido por monsenhor Paul Marcinkus e os tentáculos por ele estabelecidos sob o manto protector de Paulo VI. Misteriosamente, o cardeal Pietro Palazzini avisou a Santa Aliança e a contra-espionagem, o Sodalitium Pianum, de que deviam prestar toda a sua ajuda a Vagnozzi, mas o problema residia no facto de muitos agentes da Santa Aliança fazerem trabalhos especiais para Marcinkus e, portanto, ele foi informado dos movimentos de Benelli e de Palazzini.
Paul Marcinkus e Michele Sindona tinham sido tranquilizados pelo próprio cardeal Villot sobre a quase segura eleição do cardeal Giuseppe Siri, de Florença, homem conservador e de majestosa figura. Marcinkus sabia que, se Siri fosse eleito, o IOR não seria sujeito, pois, a incómodas investigações, porque ao fim e ao cabo o cardeal Giuseppe Siri não tinha boas relações com os cardeais Benelli e Palazzini.
Um dos mais firmes defensores da abertura do inquérito ao IOR foi o cardeal Sérgio Pignedoli. Meses antes de se iniciar o conclave, Pignedoli falou, talvez demasiado abertamente, a outros cardeais sobre a necessidade de investigar o destino de milhões de dólares procedentes do Vaticano. O cardeal teve uma reunião secreta com os cardeais Benelli, Palazzini e Vagnozzi, em que lhes exprimiu a sua preocupação acerca dos constantes rumores que circulavam a respeito do IOR e certas operações efectuadas com o ditador nicaraguano Anastasio Somoza.
Durante o conclave, o cardeal Franjo Seper revelara ao ainda cardeal Luciani que certas forças obscuras dentro do Vaticano tinham afastado o “perigoso” cardeal Pignedoli da corrida ao pontificado. O cardeal jugoslavo garantiria a Luciani que durante a ceia alguém aludiu em voz baixa e só para quem estava ao lado os rumores sobre a condição sexual de Sérgio Pignedoli durante o seu apostolado entre a juventude “e por isso às vezes o seu apartamento ficava cheio de sacos de dormir quando não lhes encontrava outro alojamento”.
O certo é que esse rumor era apenas um pretexto infundado para acabar com as possibilidades de Pignedoli entre os conclavistas, e isso foi conseguido. Seper garantiu que o cardeal responsável pelo boato tinha sido expulso do conclave, mas já o mal estava feito. Segundo parece, ele trabalhou durante anos no Banco Vaticano até ser transferido para outro lugar. As “forças obscuras”, como as definia o próprio Albino Luciani, conseguiram afastar assim um candidato incómodo para o IOR e para Paul Marcinkus.
No sábado, 26 de Agosto de 1978, a primeira votação foi encarada como um ensaio, mas nela surgiu um claro domínio do cardeal Giuseppe Siri, que não conseguiu os dois terços necessários, setenta e cinco votos, e teve assim de se proceder a uma segunda votação, em que Luciani obteve cinquenta votos e Pignedoli vinte.
Após uma breve pausa, os conclavistas voltaram à Capela Sistina para se realizarem as duas votações da tarde. A primeira delas foi às quatro e o cardeal Bafile leu o nome do cardeal Albino Luciani por mais de setenta e cinco vezes. Logo a seguir, os influentes cardeais Villot, pelos bispos, Siri, pelos presbíteros, e Felici, pelos diáconos, aproximaram-se de Luciani para lhe pedir que aceitasse o seu destino. Depois de pronunciar a palavra “Aceito”, o cardeal Jean Villot perguntou: “Como vos desejais chamar, Santo Padre?” E Luciani respondeu: “João Paulo”. “Sereis João Paulo I”, replicou o cardeal Felici sem saber o lapso que acabava de cometer. O papa que inaugura uma dinastia de nomes não se distingue por um ordinal até chegar o segundo pontífice que utilize esse nome. As palavras que de seguida o novo papa proferiu seriam quase premonitórias: “Seja João Paulo primeiro, já que o segundo chegará em breve”, disse o ex-cardeal Albino Luciani.

Enquanto os jornais como Ubsservatore Romano publicavam a notícia na primeira página da eleição do novo papa João Paulo I, a revista The Economist inseria no interior as estranhas operações feitas por financeiros ao serviço da banca do Vaticano.

No entanto, quando soube da notícia, Paul Marcinkus avisou logo os sócios do IOR e Roberto Calvi, que se encontrava em Buenos Aires. Aconselhou-os a não esquecer que o novo papa era muito diferente de Paulo VI e acabou por lhes recomendar que transferissem todos os fundos da banca internacional para um país mais seguro, por exemplo, Bahamas ou Suíça.
Mas nos corredores vaticanos corriam rumores e especulações sobre as actuações dos responsáveis máximos do IOR, que negavam ter-se reunido alguma vez com figuras como Michele Sindona ou Roberto Calvi. Uns dias depois da nomeação do cardeal Bernardin Gantin como presidente do Conselho Pontifício Cor Unun, o próprio papa encontrou no seu gabinete uma cópia do relatório da Repartição Italiana de Controlo Bolsista, a UIC. Alguém tinha decidido deixar a primeira pista a João Paulo I sobre os escuros negócios que o IOR estava a realizar .
O relatório, assinado pelo ministro do Comércio Externo, Rinaldo Ossola, declarava que o Banco Vaticano era uma instituição financeira não-residente, isto é, “estrangeira” e inviolável.
O ministro Ossola estava incomodado pelos abusos no tráfico de moeda, que tinha provocado a saída de grande quantidade de divisas de Itália, deixando a lira numa situação perigosa. Ossola julgava saber que no Vaticano ou próximo dele essa operação era dirigida pelo próprio IOR.
Conta-se a história de que sempre que o papa, quando ainda era cardeal, pedia uma explicação sobre os rumores da situação financeira do IOR, o papa Paulo VI mandava Marcinkus fazer-lhe a mesma pergunta: “Sua Eminência, não tem hoje mais que fazer? Deve fazer o seu trabalho que eu faço o meu”, respondia o responsável pelas finanças do Vaticano ao patriarca de Veneza.
João Paulo I, depois de ler o documento, pediu uma reunião secreta com os cardeais Benelli e Felici, a quem exigiu que lhe explicassem tudo o que souberam nos últimos anos acerca da investigação levada a cabo pelo Banco de Itália ao Banco Ambrosiano.
Durante várias noites, Benelli pôde relatar ao Sumo Pontífice as relações do IOR com Licio Gelli, a loja Propaganda 2, Michele Sindona e Roberto Calvi e as conexões deste com o IOR e Paul Marcinkus. Parece que Benelli era informado de cada passo do inquérito através de uma fonte secreta, uma “garganta funda” no Banco de Itália, mas monsenhor Felici por sua vez era informado por uma fonte dentro da Santa Aliança.
Esta última fonte foi aquela que informou o cardeal Benelli sobre a investigação que estava a ser realizada contra o império de Roberto Calvi e que em Setembro de 1978 atingiria a máxima tensão. O agente da Santa Aliança que informava Benelli era um padre por ela infiltrado no IOR de Marcinkus, chamado Giovanni DaNicola. Licenciado em Ciências Económicas e perito na criação de sociedades bolsistas e sociedades em paraísos fiscais, o padre DaNicola não tivera dificuldades em infiltrar-se no IOR. Os seus serviços eram muito solicitados por aqueles em que o Banco Vaticano era proprietário de sociedades: Bahamas, Ilhas Caimão, Luxemburgo, Mónaco, Genebra e Liechtenstein. DaNicola tinha revelado ao cardeal Benelli que o Banco de Itália estava a investigar as ligações do Vaticano com as sociedades de Calvi e os próprios inspectores tinham já provas suficientes para o prender. Na lista dos investigados constavam Paul Marcinkus, responsável pelo IOR, Luigi Mennini, secretário-inspector do IOR, e Pellegrino de Strobel, chefe contabilista do Banco Vaticano.
Mas não era só o cardeal Benelli quem dispunha do acesso a essa informação; dentro do próprio Banco de Itália, os membros da loja P-2 informavam Licio Gelli na Argentina e ele por sua vez informava Roberto Calvi e Umberto Ortolani, maçónico e “Cavaleiro de Sua Santidade”, nomeado pelo próprio papa Paulo VI. Ao mesmo tempo, certos membros da P-2 colocados na Magistratura de Milão informaram Gelli de que a investigação sobre o Banco Ambrosiano estava concluída e que o amplo e volumoso processo seria entregue ao juiz Emilio Alessandrini. Nesse relatório, segundo disse o padre DaNicola, da Santa Aliança, tinha sido incluída uma reportagem publicada em  o Osservatore Politico (OP) e assinada por um jornalista chamado Mino Pecorelli. A reportagem tinha o título de “A Grande Loja Vaticana” e no texto fazia-se referência, com os seus nomes e apelidos, a cento vinte e um membros do Vaticano que pertenciam a diferentes lojas maçónicas. Cardeais, bispos, prelados e oficiais da Santa Sé apareciam numa lista que acabava com o nome de Licio Gelli, grão-mestre da Propaganda 2. Segundo descobriu a Santa Aliança, Pecorelli era um activo membro da loja da qual, desencantado, se dedicava então a limpar as nódoas negras, embora estas manchassem o próprio Vaticano.
A 12 de Setembro, o padre Giovanni DaNicola apresentou de modo formal e pessoalmente a lista ao Sumo Pontífice. João Paulo I viu nela os nomes do cardeal Jean Villot, de monsenhor Agostino Casaroli, do cardeal-vigário de Roma, Ugo Poletti, do cardeal Sebastiano Baggio, do bispo Paul Marcinkus ou de monsenhor Donato de Bonis, do Banco Vaticano.
O papa perguntou a Felici e a Benelli se aquela lista era verdadeira e os dois religiosos confirmaram que uma lista semelhante tinha circulado na sede da contra-espionagem, o Sodalitium Pianum, já em 1976.
Roberto Calvi acreditava que o papa João Paulo I desejava vingar-se dele por causa do assalto que o seu próprio grupo tinha feito à Banca Cattolica dei Veneto. Mas o que os seus sócios no IOR não sabiam era que Calvi conseguira desviar cerca de quatrocentos milhões de dólares e depositá-los em contas secretas em diversos bancos da América Latina. Gelli disse a Calvi que, segundo as suas fontes, o papa João Paulo I queria renovar as finanças do Vaticano e que se fizesse isso seria descoberto o desvio continuado de fundos, as empresas em paraísos fiscais, a lavagem do dinheiro procedente da Máfia e muitas outras coisas.
Licio Gelli garantiu a Roberto Calvi que o “problema” devia ser resolvido. Calvi não soube nunca se o chefe da Propaganda 2 se referia ao responsável do Banco Ambrosiano ou ao papa João Paulo I.
Na manhã de domingo, 17 de Setembro, e após um ligeiro pequeno almoço, o Sumo Pontífice chamou o padre DaNicola para lhe entregar o relatório redigido pela Santa Aliança sobre o processo da crise das finanças do Vaticano e que se designou por “IOR-Banco Vaticano. Situação e Processo”, classificado de “Alto Segredo” e “Sob Segredo Pontifício”. O relatório, redigido à mão por um agente da Santa Aliança, começava por afirmar que “o papa João XXIII tinha deixado ao seu sucessor alguns fundos de reserva procedentes do óbolo de São Pedro e administrados pelo IOR. A quantia ascendia a cinquenta mil milhões de liras”. Naquela altura, a Administração de Bens era dirigida pelo cardeal Gustavo Testa e o IOR por monsenhor Alberto Di Jorio. “Paulo VI chegou a preparar um decreto para unir todas as administrações, mas misteriosamente no último momento não foi levado a cabo”, dizia o relatório. “Eu creio (o agente da Santa Aliança que redigiu o relatório) que a presença de Michele Sindona nos nossos interesses financeiros e a sua ligação com Lido Gelli teve muito a ver com a retirada desse decreto”.
A análise do serviço de espionagem papal referia-se também “a uma figura sinistra chamada Umberto Ortolani, que era um bolonhês amigo íntimo do cardeal Giacomo Lercaro e do cardeal Joseph Fríngs”.
O Sodalitium Pianum era o departamento de espionagem pontifício que melhor informação tinha sobre Ortolani. Segundo o relatório do S. R, Ortolani era um bolonhês baixo, de aspecto redondo, que trazia sempre um grosso cordão de ouro no colete. As suas operações eram dirigidas a partir da sua faustosa vivenda de Grottaferrata, onde se instalaram por várias vezes os cardeais Lercaro e Frings. “Umberto Ortolani dedica-se a recuperar empresas em crise e, depois de estarem saneadas, liberta-se delas e vende-as pelo melhor preço”, dizia-se no relatório. Num anexo especial indicava-se ainda que Ortolani tinha ingressado na Ordem de Malta e iniciou-se depois na loja P-2 de Licio Gelli.
Desde Janeiro do ano anterior (1977), a Santa Aliança conhecia a “Lista dos 500”. Nessa mesma data, Mário Barone, antigo companheiro universitário de Michele Sindona, revelou a existência da célebre lista com os nomes de meio milhar de empresários, políticos, financeiros, membros da Cúria Romana, industriais e mafiosos que utilizaram os bancos de Sindona para fazer sair de Itália grandes somas de capitais. Barone prometeu entregar a lista às autoridades em troca da imunidade, mas quando abriu o cofre de segurança da Banca Privata, onde devia estar depositada essa lista, ele estava vazio. O que não se sabe é como o serviço de espionagem papal pôde ficar com uma cópia.
A 23 de Setembro, o papa João Paulo I já quase que tinha nas suas mãos a totalidade da investigação sobre o “Vaticano S.A.”. Nessa mesma tarde, e após uma reunião com os responsáveis da Santa Aliança, o chefe dos espiões papais informou o Sumo Pontífice sobre outra obscura figura que se movimentava entre as finanças do Vaticano, o eslovaco monsenhor Pavel Hnilica. Alguns indicavam que era este membro da Cúria que informava a partir do IOR os agentes da Santa Aliança, mas esta versão nunca pôde ser confirmada.
Um outro relatório nas mãos do agente da Santa Aliança padre Gio-vanni DaNicola, e depois em poder de João Paulo I, dava uma outra informação que lhe tinha passado a sua própria fonte. Segundo parece, os inspectores do Banco de Itália passaram a investigar o Ambrosiano após uma denúncia anónima (Luigi Cavallo, um mafioso de pouca importância amigo de Michele Sindona) a 21 de Novembro de 1977. Era evidente que a presa era Roberto Calvi e pouco a pouco as autoridades fiscais começaram a desmontar a sua emaranhada organização.
Calvi tinha interesses financeiros no Peru e na Nicarágua, em Porto Rico e nas Ilhas Caimão, no Canadá, na Bélgica e nos Estados Unidos, mas de facto o ponto fraco do financeiro eram as sociedades Suprafin e Ultrafin. Tanto a Calvi como a Sindona não lhes interessava que se soubesse a verdade sobre essas empresas e a sua única tábua de salvação era mesmo Paul Marcinkus. Quando os inspectores italianos começaram a decifrar as ligações das suas sociedades e movimentos financeiros, apareceu Cario Oligati, administrador-geral do Ambrosiano, a declarar que a Suprafin era mesmo propriedade do Vaticano e portanto “intocável”. Marcinkus apenas teve de abanar a cabeça para espantar as autoridades italianas.
O último dia de vida de João Paulo I foi uma jornada normal de trabalho. Esse 28 de Setembro de 1978 começou com uma oração na sua capela privada, um pequeno-almoço frugal, enquanto escutava as notícias da RAI, e um primeiro contacto com os seus secretários John Magee e Diego Lorenzi.
Às nove da manhã começaram as audiências. João Paulo I recebeu o cardeal Bernardin Gantin e o padre Riedmatten, ambos responsáveis por todas as obras de ajuda em matéria social. Por volta das duas horas da tarde, o Sumo Pontífice retirou-se para almoçar com um pequeno grupo que costumava acompanhá-lo. Nesse dia sentaram-se à mesa o cardeal Jean Villot e os padres Lorenzi e Magee e a seguir deram todos um longo passeio de cerca de uma hora pelos jardins do Vaticano.
No começo da tarde, o papa, acompanhado por dois membros da sua escolta e seguido por dois agentes da Santa Aliança, dedicou-se a espiolhar alguns papéis e cartas pessoais às quais devia responder. Ao entardecer passou largas horas com o cardeal secretário de Estado, Jean Villot, a despachar assuntos da Santa Sé. Falou ainda pelo telefone com os cardeais Giovanni Colombo, arcebispo de Milão, e Benelli.
As oito da tarde, retirou-se para rezar o terço em companhia de duas freiras e dos seus dois secretários. Depois, foi servida a ceia à base de sopa de peixe, feijão verde, queijo fresco e fruta. Por volta das nove, e como era seu hábito, sentou-se à frente do televisor para ver o noticiário. Logo a seguir, o papa retirou-se para o seu quarto e pediu a soror Vincenza que lhe levasse um jarro com água para colocar na sua mesinha. Às nove e meia da noite, João Paulo I fechou a porta do seu quarto, pronunciando as suas últimas palavras.
Antes de adormecer, João Paulo I tinha o costume de ler um pouco na cama e para isso mandou colocar uma pequena lâmpada na mesa situada ao lado. A escolta de agentes da Santa Aliança que seguiam o papa foi retirada por ordem de um superior não identificado, conforme informou na manhã seguinte o padre Giovanni DaNicola ao cardeal Benelli.
O Sumo Pontífice morria de “morte natural” ou “assassinado” entre as nove e meia da noite de 28 de Setembro e as quatro e meia da madrugada do dia 29.

Existem duas versões sobre quem descobriu o cadáver. A oficial, ou seja, a do Vaticano, é a de que o primeiro a entrar no quarto do papa morto foi o secretário John Magee. A extra-oficial e verdadeira é a de que a primeira pessoa a entrar no quarto por ele não responder à sua chamada foi soror Vincenza Taffarell e ali descobriu o corpo do papa João Paulo I.

As 5.40, como todas as manhãs, soror Vincenza bateu à porta com os dedos para acordar o Santo Padre. Chamou nervosamente, sem obter uma resposta. Ao entrar, encontrou a luz acesa na mesinha e o corpo de João Paulo I imóvel. Estava morto. Saiu rapidamente do quarto e a pesada máquina vaticana foi logo posta em movimento. A ajudante do papa avisou o padre John Magee e este avisou o cardeal secretário de Estado, Jean Villot, e o decano do Sacro Colégio Cardinalício, o cardeal Cario Confalonieri. Villot avisou o médico do papa, Renato Buzzonetti. No interior do quarto a confusão era total. O diagnóstico do médico papal foi certificar a morte de João Paulo I ocorrida por volta das onze e meia da noite de 28 de Setembro por um enfarte agudo do miocárdio. Às sete e meia da manhã, a agência noticiosa ANSA dava a notícia da morte do Sumo Pontífice.
A comissão cardinalícia criada para investigar a morte de João Paulo I, dirigida pelos cardeais Silvio Oddi e António Samore, acabou por concluir que se tratou de uma “morte natural por enfarte”, mas muitas perguntas ficaram sem resposta quando o papa João Paulo II ordenou a classificação de “Segredo Pontifício” para o processo de inquérito. Ainda hoje esse relatório permanece, como muitos outros, num obscuro recanto do Arquivo Secreto do Vaticano.
Por que se disse que o papa sofria do coração quando o seu médico de toda a vida, doutor António Da Ros, recusou tal afirmação? Por que não foi avisado o doutor Da Ros se o seu secretário John Magee disse que o papa se tinha queixado várias vezes durante o dia de que lhe doía o peito? Por que se disse que o papa apenas tomava vitaminas, quando realmente e por prescrição do doutor Buzzonetti lhe tinham sido receitadas injecções para estimular a glândula que segrega a adrenalina? Por que não se disse que foram receitadas a João Paulo I injecções para minorar o problema da baixa pressão sanguínea? Por que é que a cafeteira de café que todas as manhãs soror Vincenza lhe levava estava intacta quando se descobriu o corpo do papa e desapareceu pouco depois sem deixar o menor rasto? Porquê e quem ordenou a retirada da vigilância ao papa João Paulo I dos agentes da Santa Aliança? Por que é que quando Hans Roggan, oficial da Guarda Suíça, comunicou a Paul Marcinkus a morte do Sumo Pontífice ele não mostrou nenhuma estranheza, segundo o testemunho do próprio Roggan? Por que é que se disse que não se tinha feito nenhuma autópsia ao cadáver do papa, quando na verdade se fizeram três? Por que é que se não tornaram públicos os resultados de nenhuma das três autópsias? Por que foi ordenado à Santa Aliança que não abrisse qualquer inquérito por parte dos serviços secretos papais? Sim, todas estas perguntas e muitas outras ficariam sem resposta.
O padre Giovanni DaNicola, que informava o Sumo Pontífice sobre os maus investimentos financeiros realizados por Paul Marcinkus e os seus sócios através do IOR, sabia que depois da morte de João Paulo I tinha os seus dias contados. O espião pediu protecção ao cardeal Benelli, mas por um ou por outro motivo essa protecção não foi dada. Benelli conseguira que a Santa Sé, através da Secretaria de Estado, transferisse DaNicola para a nunciatura no Canadá, mas a confirmação da mudança de destino do espião papal nunca chegou.

Quatro dias após a morte de João Paulo I, e enquanto o Mundo se recompunha da surpresa, o espião da Santa Aliança apareceu enforcado num solitário parque de Roma muito concorrido por travestis e prostitutas em busca de clientes. Apesar de a polícia italiana ter arquivado o caso depois de considerar que se tratou de suicídio, ninguém quis investigar as estranhas marcas que DaNicola tinha nos braços e no corpo, como se tivesse lutado com alguém. A autópsia revelava que Giovanni DaNicola tinha o pescoço partido, ao que parece provocado por uma forte pancada na nuca e não pelo efeito do peso do corpo ao cair em seco com a corda amarrada ao pescoço. Era evidente que aquele que sem dúvida mais sabia dos segredos do IOR e de Paul Marcinkus fora assassinado. Ninguém fez perguntas, nem sequer os chefes da espionagem e da contra-espionagem do Estado do Vaticano.

A misteriosa morte de João Paulo I fez novamente reunir-se o conclave para escolher o sucessor. A 14 de Outubro de 1978, às quatro e meia da tarde, cento e onze cardeais entraram no conclave de onde devia sair o novo sucessor de Pedro. Na Capela Sistina, os cardeais ouviram em silêncio as estritas normas do conclave. O cardeal Wojtyla estava muito tranquilo na véspera da primeira votação.
No dia seguinte, domingo 15 de Outubro, começaram as votações. A luta trava-se entre o cardeal Giuseppe Siri e o cardeal Benelli, porque cada um deles obteve trinta votos. Na segunda votação, os dois perdem apoio, mas à tarde o cardeal Ugo Poletti, presidente da Conferência de Bispos Italianos, recebe trinta votos. Na quarta votação, entram na liça os cardeais Felici e Wojtyla, que recebe cinco votos. Apesar do silêncio que reinava nas celas que rodeiam a Capela Sistina, estava a travar-se uma grande luta pelo controlo da Igreja Católica.
Embora a candidatura de Siri não perdesse terreno, cada votação apenas faz com que entrem e saiam novos nomes de candidatos, sem que se alcance o resultado esperado. Na noite de 15 de Outubro, o cardeal Franz Kõnig negoceia com os cardeais franceses, alemães, espanhóis e norte-americanos o possível apoio ao cardeal polaco Wojtyla. Na manhã de segunda-feira, dia 16, ocorrem mais duas votações e Siri continua a perder terreno em relação a outros cardeais, como Giovanni Colombo, Ugo Poletti ou Johannes Willebrands.
No sufrágio seguinte, cresceu o número de votos no cardeal Karol Wojtyla e nessa tarde Wotjtyla reúne-se na sua cela com o cardeal-primaz da Polónia, Wyszynski, que lhe diz que se o elegerem ele deve aceitar. Duas votações depois, Karol Wojtyla ouviu o seu nome em voz alta: entre cento e oito cardeais, noventa e nove tinham-lhe dado o seu voto.
Era inimaginável e nunca se tinha visto: um papa de um país do Leste da Europa, de uma nação para lá da Cortina de Ferro. Depois de pronunciar as palavras de aceitação e dizer o nome que adoptaria como Pontífice, o novo papa foi escoltado até à antecâmara conhecida como comera lacrimatoria, onde o novo papa vestiu o seu hábito branco.
Logo de seguida, e num passo firme, João Paulo II dirigiu-se para a varanda para lançar a sua bênção Urbi et Orbi ao Mundo e aos fiéis. Momentos depois, o papa pediu aos membros do conclave que ficassem para jantar com ele. As expectativas perante a chegada de um novo papa desfizeram-se com as primeiras nomeações. Para dirigir a Santa Aliança e o Sodalitium Pianum, João Paulo II escolheu monsenhor Luigi Poggi, nascido há sessenta e um anos na região italiana de Piacenza e que tinha ocupado o cargo de delegado apostólico na Polónia desde 1975. Poggi era sem dúvida aquele de quem precisaria a Santa Aliança na altura em que começavam a surgir as primeiras brechas na Cortina de Ferro. Trata-se de novos tempos e para isso são precisos uns serviços de espionagem activos num dos pontificados mais políticos de toda a história da Igreja Católica Romana e quando ainda se sentem as repercussões pelas acções económicas do IOR.
Se fosse eleito o cardeal Benelli, não restava a menor dúvida de que o cardeal Jean Villot seria substituído, enquanto Marcinkus, Mennini e De Strobel seriam demitidos e talvez processados, mas não aconteceu nada disso. O cardeal polaco Karol Wojtyla foi o eleito e tudo continuou na mesma apesar da mudança de papa.
Toda a informação sobre o escândalo financeiro recolhida pelo cardeal Benelli, a Santa Aliança, o Sodalitium Pianum e o cardeal Felici foi posta à sua disposição e também lhe entregaram as provas dos membros da Maçonaria que faziam parte da Cúria, mas tudo ficou tal como estava. O cardeal Jean Villot foi confirmado à frente da Secretaria de Estado, Paul Casimir Marcinkus, ajudado por Mennin e De Strobel, continuou a reger os destinos do IOR e a encobrir as actividades ilegais do Banco Ambrosiano. Calvi, Gelli e Ortolani continuaram com toda a liberdade para se dedicarem ao roubo sistemático, apoiados pelo IOR. Por sua vez, Sindona estava em condições de continuar em liberdade nos Estados Unidos longe da alçada da lei italiana. Como diria um dia a personagem do príncipe de Lampedusa, no célebre romance O Leopardo: “Faz falta que tudo mude para que tudo continue igual”.
Dez anos após a sua fundação por Licio Gelli, a loja Propaganda 2 continuou a operar e a manipular a política de vários países e a apoiar golpes de Estado, como o dos militares argentinos.
Entre 1979 e 1982, cinco cardeais relacionados com o inquérito do IOR e do Banco Ambrosiano, gozando de boa saúde e com uma média de idades de sessenta e nove anos, faleceram misteriosamente: Jean Villot, setenta e três anos, Sérgio Pignedoli, setenta anos, Egidio Vagnozzi, setenta e quatro anos, Pericle Felici, setenta anos, e ainda Giovanni Benelli, com sessenta e um anos.
Vários escritores investigaram a misteriosa morte do papa João Paulo I, como o investigador David Yallop no seu livro In God’s Name. An Investigation into the murder of Pope John Paul 1, e o historiador John Cornwell, na sua obra A Thied in the Night. Life and Death in the Vatican. Mas enquanto Yallop defende que a morte de João Paulo I foi o resultado da conjura organizada pela loja P-2 e os círculos financeiros que rodeavam o IOR, Cornwell sustenta que, embora a morte do papa possa ter sido natural, não descarta qualquer conspiração financeira que “considerasse ser conveniente” a sua morte para continuar com as obscuras operações financeiras.
Fosse como fosse, o certo é que a morte de João Paulo I continua a ser um dos maiores e mais bem guardados segredos de toda a história do Estado do Vaticano. As intervenções da Santa Aliança e do Sodalitium Pianum neste caso foram apenas testemunhais e quase acidentais. Com a chegada do papa João Paulo II ao trono de São Pedro, os agentes da Santa Aliança assumiriam um papel muito mais activo em operações clandestinas, como a venda de armas à Argentina durante a Guerra das Malvinas/Falklands contra a Grã-Bretanha de Margaret Thatcher, ou o financiamento ilegal com fundos desviados do IOR feito ao sindicato “Solidariedade” de Lech Walesa. De qualquer forma, faltava ainda ajustar contas com muitos dos maiores protagonistas dos escândalos financeiros em que o Vaticano estava envolvido e nesse plano, é verdade, a Santa Aliança actuaria de forma decisiva na hora dos assassinos.
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ATENDIMENTO ESPIRITUAL VIA LIVE

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ERRARAM O ORIXÁ E AGORA?

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EGUM SE APRESENTA COMO ORIXA

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ULTIMA CEIA DE SATANAS

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A MALDIÇÃO DA LAGOA DOS BARROS

A LAGOA MALDITA.

Olá, hoje vou relatar uma história que aconteceu comigo a algum tempo.

A história é bem conhecida, trata-se da noiva Maria Luiza assassinada por seu noivo.

Vou fazer  um resumo para quem não conhece a história  e depois explico o por que fui chamado

Resumo:  Na madrugada de 17 para 18 de agosto de 1940, a adolescente Maria Luiza Häussler deixou o baile na tradicional Sociedade Germânia acompanhada do namorado, o impetuoso jovem Heinz Werner Schmeling. Ambos eram apaixonados, mas o romance encontrava resistência da família da jovem. Heinz chegara a ensaiar uma cena no clube após encontrar a namorada conversando com outro rapaz. O jovem Schmeling seria encontrado em um bar no bairro Belém Velho, ferido com um tiro. Maria Luíza não seria mais vista com vida, seu corpo já estava submerso na Lagoa dos Barros, onde só seria encontrado na madrugada do dia 20. O impacto do crime passional envolvendo dois jovens da rica comunidade alemã da cidade ganharia as manchetes por anos.

Aqui começa a verdadeira história de terror.

Maria Luiza era namorada de Heinz Werner João Schmeling, 19 anos. Ele integrava os Mickeys, um grupo de motoqueiros que fazia sucesso pelas ruas do bairro Moinhos de Vento,com suas potentes motos alemãs

Os dois eram decentes de famílias alemãs os pais de Maria Luiza , eram  Erika Dorken e Hermann Haussler eram separados e ambos protestantes .

Maria luiza morava com a mãe morava com mae eo padrasto Arthur Maynard Haybitle

 

..Erika, a mãe da moça, não aprovava o namoro. E no início daquele mês de agosto, Maria Luiza escreveu uma carta para Heinz propondo o rompimento da relação que, para muitos, à época, era considerada bastante íntima. Ela estaria interessada em outro moço. Na noite do dia 17 de agosto, quando foi ao baile de gala de escolha da Rainha dos Estudantes, na Sociedade Germânia, Lisinka dançou com vários rapazes e, a um deles, confidenciou que estava por encerrar o namoro. Heinz então chegou ao baile e, depois de beber alguns uísques, convidou Maria Luiza para conversar. Não causou surpresa que tenham saído juntos, de madrugada. Isso já havia acontecido muitas vezes. Surpreendente foi o dia seguinte, quando nenhum deles  apareceu em suas casas.

Na noite de domingo, preso num botequim do bairro BelémVelho,por porte ilegal do revólver que lhe presenteara o padrasto,Heinz,com um ferimento de bala no peito,foi levado ao Hospital Alemão.

Depois de receber socorro, lá mesmo foi ouvido pela polícia, na segunda-feira. E contou uma história estranha:ele e Lisinka estavam no FordV-8 da sua família e iam em direção a Tramandaí. Ele quis

manter relações sexuais, a moça resistiu, ele a tomou à força e, depois disso,Maria Luiza apanhou o revólver que estava no carro,disparou contra ele e fugiu. No dia seguinte,mudou a versão: após atirar contra ele, Lisinka suicidou-se. Com medo,eleescondeu o corpo da mo- ça na Lagoa, onde só foi encontrado na

madrugada do dia 21. A segunda hipótese foi descartada pela polícia ,com base em análises técnicas,

graças a um“modelar laboratório”recém instalado no Instituto de Identificação. Os investigadores chegaram a quatro conclusões:

“I-Maria Luiza não se suicidou.

II – Ela foi estuprada e assassinada em

Porto Alegre,no morro Mont’Serrat.

III – Heinz Werner João Schmeling foi o autor.

IV-Heinzferiu-se a si próprio”.

Depois do assassinato, Heinz teria transportado o corpo, no Ford V-8, até a Lagoa dos Barros. Amarrou-lhe tijolos, antes de jogá-lo na água.Até hoje, no entanto, há estudiosos que discordam dessas conclusões,muito com base na defesa brilhante de Waldyr Borges, um dos  advogados de Heinz. No texto de 40 páginas, ele reage ao trabalho do perito e refuta, uma a uma, as razões que levaram à condenação de Heinz Schmeling

A condenação de Heinz Werner Schmeling foi ratificada pelo juiz Coriolano Albuquerque, que ampliou a pena (de 10 anos e seis meses) para 12 anos, no dia 29 de março de 1944. Heinz foi libertado em 1946, após cumprir metade da pena

A LENDA

Depois dessa triste história a acima surge a lenda

Local dos avistamentos da mulher de branco  nas cercanias da antiga — e mal-assombrada? — usina Açúcar Gaúcho S/A (Agasa), cuja velha chaminé desativada também pode ser vista da rodovia.

Relato Funcionário ex-funcionário Agasa

 

Agasa funcionou até 1989. Mas o funcionário Milton Nunes, hoje com 64 anos, trabalhou no prédio vazio até 2003, quando se aposentou. Foi nesse período que conheceu O TERROR. Ele era vigia do patrimônio abandonado. Um momento de sua ronda noturna era apavorante. Tratava-se de uma passagem entre os prédios. Quando a percorria, os cabelos ficavam em pé.

— Era ela que estava ali — recorda.

Ela, a noiva. Maria Luísa foi morta pelo noivo há cerca de 70 anos e teve o corpo jogado na lagoa. Desde então, assombra a rodovia nos arredores da Agasa, próximo ao local do crime. As vítimas preferidas são caminhoneiros. Muitos dizem tê-la visto passeando pela freeway, de vestido branco. Uma coisa em comum entre todas aparições que o fantasma sempre está de branco e algumas pessoas dizem que esta vestida de noiva, mas como já e sabido Maria Luiza não era noiva.Grande maioria das vezes que foi visto esse fantasma na beira da estrada foi por caminhoneiros e sempre e a mesma discrição

Bom agora que conhecem a lenda e a história posso lhes dizer por que fui chamado.

Um casal de idosos teve um filho de 21 anos desaparecido, segundo eles o rapaz foi a casa de um amigo e nunca chegou lá.

Você deve estrar pensando, o que isso tem a ver com a história da noiva?

Bom é que segundo este amigo, o rapaz numa destas idas até sua casa que fica à beira da estrada tinha conhecido uma moça e estava se encontrando com ela já havia algum tempo.

Quase todas as noites ele dava um jeito de sair de casa dizendo que ia na casa do amigo ou ia pescar e conforme relado do amigo ele estava se encontrando com esta moça e o nome dela era Maria Luiza, o amigo não sabe dar detalhes apenas que a moça dizia só poder sair à noite escondida dos pais para encontrar o rapaz.

A família em desespero procurou em todos lugares pela moça, mas ninguém a não ser o amigo do filho sabia da existência de tal pessoa, foi então que alguém sugeriu que a tal moça poderia ser a noiva Maria Luiza (a lenda sempre apresentou Maria Luiza como noiva).

Procuraram um pai de santo e vidente local e este disse que realmente o rapaz havia sido levado pela noiva e que seu corpo seria encontrado afogado na lagoa.

É aí que eu entro na história, um amigo ficou sabendo e falou com o casal a meu respeito na época eu estava envolvido com um caso de assombração (eu tinha este interesse na época).

Fui até o casal junto com um grande amigo o Pai B do Bara, escutamos toda a versão da família e fomos conversar com o famoso amigo.

Era um dia de frio e chovia, a beira da lagoa estava com ondas devido ao vento, paramos o carro na frente da casa do rapaz, mas ele não estava segundo o vizinho ele voltaria logo pois nunca saia por muito tempo.

Aproveitei o tempo para ir até uma tenda na beira da estrada comprar uns doces já que aquela região é bem próxima a Santo Antônio da Patrulha terra de doces e cachaça.

Entrei na tenda e senti uma presença conhecida era o Destranca rua, o Pai B do Bara também sentiu  e disse toma uma pinga ai  afinal eu que estou  dirigindo mesmo, não era uma má ideia estava frio mesmo e o destranca na minha volta não era de graça.

Pedi uma pinga conhecida na região como Marisqueira, coisa forte que dá até para fazer fogo.

Tomei, mas antes servi meu amigo Exu, com o famoso gole do santo. Escutei ele dizer, pergunta se tem algo bom pra fumar.

Não entendi bem mas resolvi seguir o conselho do exu.

-O senhor tem algo bom a ia para fumar?

O dono da tenda riu e disse.

-Depende, tenho fumo de rolo, mas se o senhor quiser uma erva ou pó tem na casa ali em frente.

-Agradeço, mas é cigarro que quero o que não quero e ter que ir no carro pegar.

Pedi mais uma pinga. A conversa começava a ficar boa.

Perguntei se ele sabia da história do rapaz que tinha sumido.

-Sim, fiquei sabendo, ele vinha aqui todas as noites tomar um gole, bom rapaz.

 

FIM DA PRIMEIRA PARTE

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MORRE O ATOR E COMEDIANTE Jerry Lewis

MAIS UMA VEZ O BRUXO ANUNCIA A MORTE DE UM COMEDIANTE.

APÓS  AVISAR  POR VÍDEO A MORTE DO COMEDIANTE CHICO ANÍSIO  6 MESES ANTES  ESTA VEZ ELE AVISOU A DA DESPEDIDA  DO GRANDE JERRY LEWIS.

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