ESTIVE NO CÉU

 

ESTIVE NO CÉU

A alguns dias tive um acidente e fiquei uns 15 minutos desacordado, neste tempo tive a sensação de ter viajado até o céu, pelo menos foi o que senti.

Cheguei a uma porta enorme e um senhor que não sei dizer se era são Pedro, Gabriel, ou seja lá quem for, pois a criatura não usava nem crachá, vi de cara que o lugar era mal administrado, onde já se viu um porteiro sem identificação? Bom, fui recebido por este indivíduo que não me deu bom dia nem boa tarde só me apontou   um balcão e eu já me fui, estava louco para saber se tinha morrido ou estava sonhando.

O senhor do balcão tinha um enorme livro e logo pensei, ou é uma Bíblia ou então o livro da minha vida e deverei ser julgado, pensei, pode ser São Gerônimo ou até mesmo Xangô, sei lá, eu estava confuso e ninguém falava nada.

Parei na frente deste senhor e ele me botou um crachá, e estava escrito visitante e embaixo BRUXO MAGO NEGRO em letras bem grandes, o livro era de visitas, neste momento descobri que não ficaria por ali. Haviam outras pessoas com crachá de visitantes, mas todos com nomes tipo EMANUEL, ELIAS, TIAGO pensei logo, com este nome   só vou me ferrar aqui, pensei em dizer que meu nome era Carlos Adriano e que eles tinham me dado a crachá errado, mas e se tivesse exame médico ou algo parecido e eu tivesse que tirar a camisa como ia explicar a tatuagem? Achei melhor deixar assim e ver no que dava. Fiquei ali em meio a outros na mesma situação até que começaram a chamar pelo nome, Jose, Marcos, João, porra até um Judas eles chamaram e eu ali esperando. De repente escutei uma voz conhecida.

-Bruxo, quanto tempo!

Disfarcei um pouco, por que todo mundo olhou pra mim, e de repente com cara de quem também não sabe de quem estão falando olhei para traz. QUE SURPREZA!

 

Continua …….

Carlos Adriano Fontoura

 

LEMBRANÇAS

No final dos anos 80 eu tive uma experiência que embora eu ainda não tivesse conhecimento mudaria minha vida para sempre. Era um sábado e fui convidado para ir até a cidade de Alvorada, uma pequena   cidade da Grande Porto Alegre, para conhecer um médium que tinha ficado conhecido e muito falado por ter participado de uma reunião secreta da maçonaria onde respondeu com precisão detalhes da ordem e fatos históricos muito pouco conhecidos. A reunião aconteceu em um prédio no centro da capital Porto Alegre, não recordo o endereço, mas o nome do prédio era Antônio Delapieve. Neste endereço ficava o escritório do senhor Carlos Gomes, advogado, maçom e alguns anos depois candidato a presidência da república pelo PRN, e foi neste local que aconteceu a famosa reunião que contou com a presença de dois historiadores e um venerável da ordem e mais alguns participantes todos ligados a Maçonaria.

Nesta época eu perambulava entre igrejas, seminários e botecos da pior qualidade, sempre fui assim entre Deus e o Diabo entre Céu e Inferno, mas nada é por acaso e isto sempre tive em minha cabeça.

O médium que falo chamava-se Luís, Dom Luís como ficou conhecido por que seu mentor era um cigano chamado Dom Geovane.

DOM GEOVANE

Dom Luís ou seu Luís era um homem humilde de quase nenhum estudo, sustentava sua família fazendo bicos de pintor, pedreiro e qualquer coisa de desse o sustento para sua prole, e foi assim que ele conheceu José Aldoli Bitencourt o tio Aldo, um dos homens mais inteligentes que eu conheci, ele era pai de um amigo de infância.

Foi em uma reforma na casa do tio Aldo que seu Luís comentou que recebia o espirito de um antigo cigano e uma outra entidade que nunca disse quem era e que ela tinha feito parte da Maçonaria, após muitas conversas e reuniões decidiram pôr a entidade a prova e levá-la a uma reunião que oficialmente nunca aconteceu.

Nesta reunião a entidade foi sabatinada a respeito de fatos históricos e sobre assuntos da ordem e todos ficaram espantados com as respostas dadas aparentemente por um senhor de 58 anos quase sem estudos. Convencidos de que estavam lidando com algo realmente sobrenatural começaram a fazer reuniões seguidamente o que depois de um tempo veio a se tornar reuniões para sessão espiritual, das quais tive o prazer de fazer parte durante um ano e meio.

.     Cheguei a casa de Dom Luís em um sábado as 11 horas da manhã e sai de lá só no domingo à noite cheio de dúvidas quanto as coisas que eu tinha visto, levou um tempo para assimilar.

Passei a frequentar a convite do cigano as reuniões que aconteciam todas as terças feiras no centro da cidade, e foi lá que no final de uma reunião ele me chamou para conversar em particular e me disse:

 

-Muito em breve eu não virei mais a terra, o Luís continuará a fazer as reuniões e vai enganar a todos se passando por mim, depois de um tempo ele será desmascarado por uma pessoa que já está aqui e não será você, peço que me jure segredo sobre o que estou lhe falando.

-Claro, não falarei nada, mas não entendo por que está me falando? Acho que o senhor devia avisar o tio Aldo ou o seu Carlos Gomes.

– Preste atenção, depois de tudo isto o Luís sofrera um acidente e morrerá, mas só depois de acontecer tudo que lhe falei e quanto a você não se preocupe serás um bruxo.

-Fico triste em saber, gosto do senhor e do seu Luís também, mas cumprirei o que me pediu mesmo sem entender.

-Não se preocupe, com o tempo entenderá os motivos e nos reencontraremos quando menos você esperar.

Tudo que foi dito naquela noite referente ao seu Luís se cumpriu em menos de um ano.

 

O REENCONTRO

A voz que me chamou era muito conhecida, mas ao me virar me deparei com alguém que eu nunca tinha visto na vida, pelo menos foi o que pensei.

-Bom dia, boa tarde, boa noite, desculpe não sei que horas são e nem onde estou? Sua voz é familiar, mas não me lembro mesmo de onde.

O homem sorriu, um sorriso largo expressando um carinho e amizade por mim, mas eu nada entendia.

Pensei onde foi que encontrei este cidadão?

Ele esticou a mão para me cumprimentar e disse;

-Dom Geovane.

-Muito prazer. Respondi, a ficha ainda não tinha caído, afinal eram quase 30 anos desde a última vez que conversamos.

-É bruxo, você está bem mais velho desde a última vez que conversamos e eu pareço bem mais novo, é que nunca tivestes sensibilidade para ver espíritos, o que você enxergava era só a matéria.

Não deu para conter a emoção de rever ou ver pela primeira vez meu primeiro mestre espiritual, o cigano Geovane, num abraço chorei como a muito queria chorar.

CONTINUA

Carlos Adriano Fontoura

 

(ESTIVE NO CÉU)

A PRIMEIRA INCORPORAÇÃO

 

Quando eu era apenas um menino de 13 ou 14 anos eu não lembro bem a idade aconteceu o que hoje acredito ser a primeira incorporação, foi durante uma reunião de colegas de aula, estávamos na casa de uma amiga e fazíamos a famosa sessão do copo quando eu entrei em transe e falei coisas que até hoje não fazem sentido, isto durou cerca de 2 a 3 minutos no máximo e deixou todos assustados.

Alguns anos depois eu estava visitando uma senhora que era mãe de santo e ela me pediu se podia leva-la até uma encruzilhada pois precisava despachar um trabalho e como ela não tinha carro queria uma carona, eu disse que não tinha problema.

Esperei chegar a noite e fomos, a encruzilhada ficava umas 9 quadras da casa dela e ela me disse que tinha que ser naquela eu nem perguntei o porquê.

Quando chegamos lá ajudei a descarregar as bandejas com as oferendas e como era tarde da noite e frio ela me perguntou se eu me importava em ajudar eu disse de pronto que não, então ela me deu uns charutos para que eu acendesse.

Me abaixei para acender os charutos e escutei um barulho estranho como se alguém limpasse a garganta pigarreando, olhei para os lados e nada vi, continuei e escutei novamente, desta vez mais forte e mais perto, levantei a cabeça e dei uma olhada em redor e nada. A mãe de Santo continuava a acender velas, a esta altura eu já estava em pé olhando para tudo que era lado, mas me abaixei e continuei a acender charutos.

Escutei mais uma vez porem como se estivesse do meu lado, olhei para a mãe de santo e perguntei se ela havia escutado algo.

-Escutei sim 3 vezes e tu?

-Também. Que barulho é este? Perguntei.

-Não sei. Disse ela já andando bem rápido em direção ao carro.

 

Entramos no carro sem trocar muitas palavras, se ela não sabia o que era imagina eu. Chegamos na casa dela e fui tomar um café antes de ir já que estava muito frio e foi aí que o bicho pegou.

Comecei a me sentir mal, uma angustia algo horrível e de repente entrei em transe.

Foi uma correria entre as pessoas que estavam na casa afinal eu só passei ali para pegar uma pessoa e agora estava incorporado em plena cozinha da casa sem que se soubesse quem era a entidade.

A mãe de santo muito experiente conversou com a entidade e perguntou quem era ela e recebeu como resposta algo que ela nunca mais esqueceu.

– A senhora tem obrigação de saber quem sou, pois a 4 anos a senhora fez um assentamento na encruzilhada em que foi esta noite.

A 4 anos esta mãe de santo morava a uma quadra de onde fomos despachar os trabalhos e ela havia feito 3 assentamentos naquele local e somente ela e o ex-marido sabiam o que ali estava.

-Se eu tenho obrigação de saber quem é o senhor, então o senhor também tem obrigação de saber quem mais foi sento lá.

A entidade sorriu e disse:

-Uma Rainha, um Rei e eu.

A mãe de santo acendeu um cigarro deu um charuto ao Exu que ali estava e conversaram durante horas.

 

O   AMIGO

Após um forte abraço o cigano comecei a falar sem parar queria saber onde estava e se eu tinha morrido.

-Não vós não morreis ainda, só está aqui de passagem, aqui não é o céu nem o inferno, digamos que é meio do caminho para ambos.

Pensei em falar da minha vida, contar tudo pelo que tinha passado, mas vi que era desnecessário.

Ele me disse que não podia falar muita coisa e que só estava ali para me receber pois quem me guiaria seria outra pessoa, não entendi o que ele quis dizer com me guiaria mas resolvi aguardar. Pegou minha mão e disse para fechar os olhos e quando disse para abrir estávamos na frente de um portão.

-Daqui em diante você vai sozinho, não se preocupe alguém lhe espera.

-Por que não vai comigo?

-Não posso, não tenho autorização para entrar aí.

– Se você não tem autorização,como é que eu que tenho um crachá de visitante vou entrar?

-Vá, quem lhe espera conhece você muito bem, não se preocupe.

Eu não sabia onde estava, não tinha certeza nem se estava ali mesmo ou não, mas fui entrando. Cruzei o portão e vi que estava em um cemitério.

 

CONTINUA….

Carlos Adriano Fontoura

(ESTIVE NO CÉU)

O CENARIO

Passei o portão e lembrei da primeira vez que pisei em um cemitério para fazer um trabalho, eu nunca fui muito assustado, mas ali era um pouco diferente, eu não sabia o que esperar afinal estava no mundo dos mortos.

Fui caminhando entre sepulturas, algumas abertas, arrisquei uma olhada, não tinha ninguém dentro, no fundo fiquei feliz de não ver ninguém. Estava muito escuro e eu não via quase nada, sentei em uma sepultura esperando que alguém aparecesse, de repente parece que começou a clarear e vi que alguém vinha em minha direção.

A criatura era um senhor bem-apessoado de terno e gravata com um caminhar elegante, ele se chegou e foi logo me perguntando onde era a reunião e eu que não sabia de nada só balancei os ombros ele nem parou e seguiu em frente. Alguém bateu no meu ombro e disse:

-Seja bem-vindo, estava te esperando.

Me virei e vi uma figura de capuz preto e capa, não consegui ver seu rosto, mas vi as mãos e não gostei.

Ele era alto magro e nas mãos carregava um chicote, aquilo não me pareceu nada hospitaleiro, mas mantive o controle e falei.

– Que bom que o senhor estava me esperando, já estava preocupado, pois disseram que alguém me esperava e não vi ninguém quando entrei, aliás meu nome é Carlos e o senhor é?

-Aqui sabemos quem é o senhor, e quem sou por enquanto sou seu guia neste mundo o resto saberá com o tempo.

Eu estava a não sei quanto tempo sem fumar e perguntei se ele tinha um cigarro, nunca fui de pedir estas coisas, mas não sabia como arrumar cigarro ali. Ele tirou de dentro da capa um maço de cigarros de péssima qualidade, mas cavalo dado não se olha os dentes, acendeu e me entregou.

-Temos uma reunião para ir e já estamos atrasados, o senhor demorou a se ambientar por isso não conseguia ver nada quando entrou aqui e eu tive que esperar o senhor se harmonizar com a energia daqui para fazer contato então estamos encima da hora.

Saímos a caminhar   e eu não tinha ainda conseguido ver o rosto deste novo amigo, tentei por duas vezes, mas ele virava o rosto ou baixava a cabeça e o capuz cobria, desisti.

Andamos por uns 3 minutos e durante a caminhada ele disse que o cemitério era um local de muito movimento, mas devido a reunião estava tudo muito calmo, mas que normalmente não era assim. Chegamos a uma catacumba onde duas mulheres quase nuas guarneciam a porta com lanças e logo vi atrás delas uma escada que descia por um corredor escuro, elas descruzaram as lanças baixaram a cabeça saudando o meu amigo e disseram o senhor é esperado, quando passei uma delas me pegou na mão e me disse obrigado, não entendi, tentei perguntar, obrigado pelo que, mas ele não deixou me puxou pelo braço e descemos as escadas na mais negra escuridão. Chegamos a um salão e então comecei a entender a onde eu realmente estava.

Sempre tive muita curiosidade de como funcionava o mundo das entidades de baixa vibração e agora estava ali em uma reunião que pelo jeito era uma assembleia de Exus eu só não sabia o por que eu estava ali. Desconfiei de quem era o meu amigo, mas quando ia conversar com ele alguém gritou:

-Silencio! À reunião irá começar.

O local estava lotado e tinha uma mesa no centro do salão e nós estávamos na volta desta mesa quando entrou alguém que não consegui ver quem era e todo mundo se abaixou e eu junto claro.

-Senhores agradeço terem respondido ao chamado, peço a todos que mandem seus escravos saírem, pois, a reunião hoje é somente para os membros do conselho.

Rapidamente a sala ficou quase vazia, pensei em sair, mas no meu crachá estava escrito visitante e não escravo, então arrisquei ir ficando.

Rapidamente a mesa se encheu e vi que sobrou uma cadeira ao lado da cabeceira e imaginei ser do meu amigo.

O dono da ponta da mesa era com certeza muito poderoso pois todos o tratavam com muito cuidado e respeito se via isto até nos olhares.

-Vejo que temos uma visita hoje, seja bem-vindo Bruxo, tome um lugar na mesa ao lado do seu amigo.

Agradeci meio acanhado pois ainda não tinha certeza de com quem estava lidando.

Trouxeram uma cadeira e colocaram ao lado da cabeceira da mesa e ali me sentei.

Olhei para o meu amigo e perguntei ele é o Maioral?

-Vi que começou e se achar e entender onde está.

Era estranho estrar ali, mas agora eu já tinha certeza de com quem estava, o meu amigo com certeza era o meu Exu o Senhor Destranca Rua.

 

CONTINUA …

 

Carlos Adriano Fontoura

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