HISTORIA DO EXU CAPA PRETA

Exu Capa Preta

Nos meados de 1730 o Brasil descobria diamantes em seu território
Ricos ficaram mais ricos e escravos chegavam aos milhares para trabalhar nas minas de ouro e diamantes.
Foi nesta época que um simples plantador de cana de açúcar, escravo e fugitivo foi pego nos arredores do povoado onde hoje se encontra a cidade de Diamantina.
Por sorte ou azar, só o tempo diria foi levado a fazenda Da Carvoeira e la colocado no extração de diamantes.
Não era fácil a vida, mas um dos senhores que cuidavam dos escravos era um homem temente e Deus e acreditava que todos eram iguais, seu nome era Joaquim Silvério Dantas.
Silvério havia sido criado e educado em um mosteiro na França e educado para ser padre porem aos 20 anos resolveu procurar aventuras, ganhar dinheiro e tirar a família da miséria em que viviam . Já estava arrependido de ter embarcado para a nova terra mas uma amizade mudaria sua vida para sempre e eternamente.

A historia do Exu Capa Preta

Negro Tatabarum era um escravo em fazendas de cana de açúcar em 1745 mas havia fugido e se escondia na mata no interior das Minas Gerais quando foi capturado e levado a uma extração de diamantes onde conheceu Silvério homem bom que defendia como podia os escravos.
Surgiu uma amizade entre Tatá e Silvério a ponto deste lhe confessar que antes de ser pego havia vivido em um grupo de negros fugitivos que tinham juntado muitos diamantes e estavam escondidos na mata juntando diamantes sem ter certeza do que fazer com eles.
A idéia era comprar a liberdade porem com receio, ficavam a só garimpando e sonhando com a liberdade .
Silvério disse a Tata podemos resolver isto se a quantidade de diamantes der para comprar a liberdade eu faço a negociação por eles e resolvo o problema.
Não sei disse Tatá , quantos diamantes é preciso para comprar a liberdade de um negro?
Não sei nunca pensei em comprar um homem.
Mas então descubra Silvério e veja um modo de me tirar daqui.
Silvério que nunca pensou em comprar alguém começo a perguntar sobre compra de escravos e valores de diamantes e isto chamou atenção dos donos do garimpo que vieram logo ter com ele para saber o que acontecia.
Os donos do garimpo desconfiam que Silvério sabe de um local melhor para garimpar e para isto quer saber custos para abrir um garimpo e lhe fazem uma proposta de sociedade.
Silvério nega, diz não saber de nada e que só pergunta por curiosidade .
Mas um homem que trabalha duro na lida com escravos e já esta com quase 40 anos não tem curiosidade pensa o dono do garimpo tem é planos.
Fiquem de olho no Silvério ele sabe algo que não sabemos ainda.
Silvério ficou tentado com a proposta de sociedade pois sua família passava dificuldades e um negocio como este era a oportunidade que precisava, porem seria trair sua educação cristã. Bom mas até a igreja não esta em concordância quanto aos escravos pensou ele.

A mudança

O dono do garimpo era Osvaldo Brandão um homem de muito poder na região mas que sempre queria mais e não media suas atitude faria o que fosse preciso para obter mais poder.
Osvaldo convida Silvério para jantar na sua casa com o pretexto de discutir a compra de novos escravos; Silvério não era o capataz chefe do garimpo e já desconfiou que o convite era por causa da dita sociedade.
Silvério procura Tatá e descobre que ele foi açoitado e esta muito mal ,
Corre para saber como estas o amigo e este pensando que vai morrer resolve contar a Silvério onde é o acampamento dos negros fugitivos.
No jantar Silvério conhece a recém chegada filha de Osvaldo que veio da Europa onde estudava.
Osvaldo notou que Silvério não tirava os olhos da moça e que também ela havia simpatizados com ele que embora fosse 10 anos mais velho era um homem belo e de cultura pois tinha estudado na Europa também.
Osvaldo não tocou no assunto de sociedade só falou no garimpo e na compra de escravos pois queria conquistar a confiança de Silvério e se fosse preciso casaria sua filha com ele pois o negro durante o açoite falou em diamantes e escravos escondidos mas desfaleceu antes de dizer onde estavam e Osvaldo sabia que o negro morreria antes de delatar seus amigos porem Osvaldo já sabia que Tatá e Silvério viviam de segredos e longas conversas e com certeza se alguém sabe dos diamantes este é Silvério e se não souber terminara morrendo em alguma das minas isso é fácil de se resolver se for o caso
e pra casar não faltará outro.
Tatá sobrevive mas Osvaldo manda levá-lo naquela mesma noite para outra mina mais distante e diz a Silvério durante a janta que dois escravos foram castigados porque estavam tentando fugir e que infelizmente um tinha sido muito castigado e não tinha resistido mas que ele já tinha tomado providencias de castigar o homem que lhe deu este prejuízo de matar um bom escravo.
Silvério desconfia mas sabe que o Tatá podia ter fugido mesmo já tinha dito que faria mas pq não disse quando revelou o lugar que estavam os negro que estava tentando fugir, bom pensou ele, já estava morrendo e fora a localização dos negros não falou coisas com nexo, devia ser delírio medo da morte africanos eram estranhos na hora da morte não rezavam só falavam em uma língua diferente que pareciam cantar em vez de falar.

Passaram 3 meses da suposta morte de Tatá e a bela Ana filha de Osvaldo passeia a cavalo todas as manhas e faz questão de passar perto do garimpo para cumprimentar Silvério que agora é capataz chefe do garimpo.
Silvério escreve seguidamente a família que mora em Portugal e com o novo posto consegue mandar algum dinheiro para sua mãe.

A semente do mal

Nunca mais Osvaldo comentou sobre sociedade parece que os diamantes foram esquecidos porem ele tem uma cartada que semeou nos últimos tempos, o amor que ele tem certeza existe no coração de Silvério por sua filha Ana, e este agora já lhe parecia até um bom casamento homem culto de confiança trabalhador com família na Europa, pobres mas isto ninguém sabia e agora tinha certeza de ter diamantes na jogada pois negro Tatá em delírio não parava de falar em diamantes durante seu transporte para o outro garimpo.
Osvaldo convida Silvério para sua casa e lhe diz pergunta sobre sua família na Europa pois deseja casar sua filha e que se ele tiver um dote de família faria bom grado telo como genro.
Silvério é pego de surpresa e não sabe o que dizer .
Mas senhor Osvaldo será que ela gostaria de casar comigo?
Sei que sim ela já conversou com a mãe dela mas eu tenho que pensar no futuro dela e embora eu tenha posses não esqueça que tenho mais 2 filhos estudando na Europa e se dividir tudo tenho medo de ser pouco quero somar para minha filha e não dividir.
Entendo mas minha família é pobre embora tenha até freqüentado a corte portuguesa no passado mas agora não temos mais nada.
Viu é disso que falo meu jovem, hoje tenho tudo amanhã não sei.
Estava plantada a semente do mal ,Silvério com certeza buscaria os diamantes pelo amor por Ana e pela família.

FIM DA PRIMEIRA PARTE

A historia do Exu Capa Preta ( PARTE II )
Dinheiro, ouro, diamantes, poder, muitas pessoas acreditam que isto é que move o mundo, mas estão enganadas, o que move a roda da vida é o amor.
E é por este amor que Silvério vai trair seus princípios e roubar os diamantes .
O sonho de viver uma vida ao lado da pessoa que ama já tem planos e começa-os a por em pratica.
A nova posição de chefia permite a Silvério desviar alguns diamantes que com o tempo vão financiar a busca pelos escravos fugidos, é preciso chegar com homens bem armados, os negros não vão lhe entregar os diamantes assim facilmente.
Não muito longe dali em outro acampamento a beira de um rio esta negro Tatá já recuperado e com planos para fugir e voltar ao grupo de negros e avisar que tem um aliado branco que comprara a todos e os libertara.
Passam mais 2 meses e Silvério vai a caminho do acampamento de negros com 20 homens contratados e fortemente armados que acreditam apenas buscar escravos fugitivos, eles nada sabem dos diamantes.
Tatá chega no acampamento fala de sua amizade com um branco e que este vai ajudar a todos, consegue convencer a todos que deve acreditar no branco Silvério que é homem bom .
São 4 horas da manha quando os homens de Silvério entram no acampamento, fortemente armados dominam 70 fugitivos entre homens, mulheres e crianças .
O líder do grupo é torturado para falar dos diamantes , Silvério é obrigado a falar a verdade para 2 homens e promete a eles boa parte para ficarem quietos.
O negro não fala nada e começam a matar um a um, dos 70 fugitivos sobraram 18 e uma mulher resolve falar.
Não mate as crianças , um negro chamado Tatá esteve aqui e levou os diamantes e junto com ele foram mais 8 homens para poder levar todos os diamantes.
Foram pra onde? Perguntou Silvério .
Não sei .Disse a mulher.
Só sei que foram atrás de um branco amigo de Tatá que ia usar os diamantes para comprar a liberdade de todos nós.

Silvério ficou transtornado e a consciência por um minuto cobrou caro sua traição, ele sabia a quem o negro estava se referindo e já imaginava onde encontrar Tatá.
O mal estava feito não tinha como voltar atrás e era melhor não deixar que aquela conversa se espalhasse mais .
Matem a todos ,ordenou Silvério.
Nove homens carregando diamantes era muito mais do que imaginava conseguir, com esta quantidade dava pra silenciar 20 homens e caçar negro Tatá.
Tatá sabe que não é preciso tanto diamante para comprar a liberdade dos negros e resolve esconder a metade em uma gruta e seguir só com a outra metade, não podiam arriscar e se tudo desse certo buscariam depois como homens livres.
Já perto do garimpo de Osvaldo Tatá se separa do grupo e vai tentar contato com Silvério .
Espreitou o garimpo por todos os lados e nada do seu amigo.
Volto amanha pensou ele .
Retornou ao grupo.
Não encontrei meu amigo hoje mas sairei amanha bem cedo e só vou retornar depois de falar com ele.
No outro dia nem bem o dia clareava se pos a caminhar.
Mais um dia sem encontrar meu amigo o que pode ter acontecido, pensou ele.
Ao retornar encontrou seus 8 amigos mortos e nenhum diamante.
Se preocupou que algum deles antes de morrer pudesse ter revelado a localização dos negro fugitivos e resolveu voltar e avisar que não estavam mais seguros.
Em seu retorno encontrou um acampamento, parece que todos dormiam, mas estranhamente o vento na fogueira apagada não avermelhava as brasas como se o fogo estive apagado a mais de um dia.
Chegou mais perto, jogou uma pedra e nada ninguém acordava.
Encheu-se de coragem e foi mais perto.
18 homens mortos estavam em suas camas feitas no chão estranhamente envenenados, não havia outra explicação.
Foram envenenados não tinha marca de violência facada ou tiro.
Resolveu não parar pra dormir estava tudo muito estranho, é melhor correr o acampamento corre perigo.
Triste visão, todos mortos nem mesmo as crianças eles pouparam.
Tatá chorou .
Quem poderia ter feito algo tão cruel.
Teve saudades de Silvério o único homem branco em quem confiava.

Fim da segunda parte
A historia do Exu Capa Preta ( PARTE III )

25 anos se passam desde o massacre dos fugitivos negros .
Silvério era agora um dos mais poderosos contratadores de diamantes das Minas Gerais.
O ano é 1755 e seus filhos estão estudando em Portugal e um deles até ocupa cargo de confiança na corte portuguesa.
Cada contratador podia ter até 600 negros, mas graças a sua esperteza Silvério tinha 1800 negro sendo 1400 a seu serviços e os outros 400 estavam trabalhando para os dois homens que também enriqueceram na chacina e que agora dividiam os lucros com Silvério .
O governo português não tinha como controlar a extração de diamantes então cobrava os impostos por escravos.
Silvério era um homem apegado a família e muito religioso, construiu igrejas e fazia os escravos orarem no final do dia .
Porem nada neste mundo fica impune e no final de 1755 um terremoto abala Lisboa e todos seus filhos morrem.
Silvério entra em desespero seria este um aviso uma cobrança divina pelas mortes causadas pela paixão e pelos diamantes.
Manda atear fogo na igreja que havia construído.
Numa noite enquanto chorava em seu quarto teve a sensação de ver negro Tatá.
Após o terremoto as cortes portuguesas precisavam de muitos diamantes para reconstruir a cidade e resolveram mandar ao Brasil muitos fiscais para contar escravos afim de aumentar os lucros.
O mundo de Silvério parecia ruir .
Enforcou-se num domingo pela manha em seu quarto .

O Mundo Espiritual ( Relato de Silvério )

Acordei em um caixão, pelo jeito os negros querem vingança e vão me enterrar vivo, só pode ser isto, reconheço as vozes.
– Me tirem daqui insolentes ,negros malditos e imundos, vou mandar açoitar a todos.
Senti a terra sendo jogada em cima do caixão e ouvi a voz de minha esposa, será que ela me culpa pela morte dos meninos e esta ajudando a me enterrar?
Acho que adormeci, na hora pensei que estava envenenado.
Acordei com alguma coisa me mordendo os pés não conseguia enxergá-los, nossa mas como dói, acho que desmaiei de dor.
Acordei novamente o caixão estava infestado de vermes e me corroíam a carne vi minha mão quase que só os ossos , meus Deus exclamei me tire daqui.
De rezar eu cansei não sabia mais para quem apelar pedi por santos por nossa senhora e nada .
De repente escutei uma voz devo estar louco isso deve ser um pesadelo.
Mas alguém me chamou.
-Silvério é você?
-Sim .
-Nossa que felicidade que boa noticia tenho esperado por você a quase 30 anos.
– Quem é você me ajuda a sair daqui.
– Só um minuto que já te tiro daí maldito traidor.
Traidor pensei quem será?
Uma mão me pegou pelo pescoço e me puxou pra fora da cova, na hora não reconheci, mas era um dos homes que envenenei por causa dos diamantes.
– É meu amigo nos encontramos novamente.
Sem saber o que dizer e por não saber por certo onde estava achei melhor pedir desculpas.É claro que não adiantou nada ele me botou uma corrente no meu pé e me arrastava sem explicar enquanto eu clamava por misericórdia .
-Por favor não me mate.
-Há hahah você já esta morto imbecil prepotente não viu ainda , não leu na pedra ali seu nome você esta no cemitério e vim buscar você por que me foi ordenado pois por mim você ainda estava no buraco.
Morto , bom pelo menos alguma coisa agora fazia sentido.
Quem será que mandou me buscar.
– Quem mandou me buscar, Deus?
-Não diga este nome aqui, seu podre, aqui o mestre é outro mas não é ele que quer falar com você.
Fui levado a uma escadaria que parecia não terminar mais, no final dela uma porta e atrás dela o que via parecia o inferno, pensei que ia conhecer o diabo, mas não .
Dois seres de aparência horrível me guiaram a te um ,sei la não deu pra definir o que ou quem era mas tinha um livro e ele leu meu nome no livro e perguntou
-Quer servir ou ser servido?
Achei melhor naquela circunstância dizer que queria servir.
Ele não falou mais nada, só apontou para os que me acompanhavam e me levaram para fora dali sem me dizer nada.
La fora dois seres me esperavam, discutiam sobre com quem eu iria , eu estava apavorado, eles erram seres horríveis e tive medo .
Vi que se aproximava um homem de capa preta e capuz não dava pra ver o rosto , e ele disse aos outros:
– Ele vai comigo.
Tentaram impedir mas o homem puxou de uma espada e todos ficaram imóveis.
Bom pelo menos parece que alguém me defende.

Fim da terceira parte
A historia do Exu Capa Preta (parte IV)

O homem de capuz saiu caminhando e fui atrás ,não sei quem é mas me pareceu mais amigável que os que ficaram pra trás .
-Seu nome é Silvério não é?
-Sim, sou eu mesmo e o senhor quem é?
-Bom é meio complicado pra você ainda, mas pode me chamar de Morcego, Exu Morcego.
-Que nome estranho!
– Sei, mas é meu nome agora e pronto.
-E antes qual era ?
– O antes não existe mais, é passado e não quero lembrar.
-Posso saber por que disse que eu ia com você ?
-Como você faz perguntas! Um amigo pediu que eu ensina-se você sobre esta nova realidade em que você vive agora, segundo ele eras um bom homem .
-Quem disse isto ?
-Uma pessoa que você conheceu quando era vivo,na hora certa você vai se encontrar com ele.
-Desculpe ser tão curioso.Falei enquanto caminhava ,sei la pra onde; mas quem eram aqueles que brigavam por mim?
-Um deles é escravo do senhor Tranca Rua o outro nunca vi, mas com certeza era escravo de algum Exu e vê se fica quieto um pouco.
Eu estava curioso, será que estou no inferno? Bom se estou o diabo deve ser aquele que tinha o livro embora nunca vi dizer que o diabo sabia ler.
Chegamos a porta de uma casa era uma catacumba ai que me dei conta que estava caminhando em um cemitério.
-Entre vamos comer alguma coisa.
-É estou faminto nem sei a quanto tempo não como.
-Mas eu sei, você desencarnou em 1756 e como já estamos em 1795.
-O que ?
-Não se preocupe não vai morrer de fome hahahah. Ninguém morre aqui .
-Se ninguém morre por que ficaram com medo da espada?
-Tudo tem sua hora.
O Morcego tirou o manto e vi suas assas fiquei assustado mas ele era muito tranqüilo e disse:
-Não tema,o mal não esta na aparência e sim nas atitudes e você sabe muito bem disto.
-Desculpe, se suas assas não fossem negras diria que você é um anjo.
-Livre-se deste preconceito de que tudo que é preto é mal e que o branco é bom, e na verdade sou um anjo sim, só que visto de uma forma diferente, e no momento sou seu anjo da guarda afinal livrei você de ser escravo.
-Escravo de quem?
-Com o tempo vai entender, sente-se ai e coma amanha temos trabalho.
Comi, fiquei pensando de onde vinha aquela fartura vinhos, cachaça e até algumas bebidas que eu só conhecia por que meu filho trazia da corte portuguesa.
Me deitei, pela primeira vez em anos eu descansava, pensei no meu passado e um remorso me corroeu por dentro, como pude ter feito tantas coisas erradas.
Será que é por isso que estou aqui ? Será que também vou criar assas e virar um homem morcego ou esta coisa tal de Exu?
Adormeci.
-Acorda hora de trabalhar e se trabalhar bem sem fazer perguntas te darei o presente que seu amigo mandou .
-Presente, mas que amigo é este ?
-Não importa agora, quando puder levo você até ele agora onde ele vive tu não pode ir.
Droga, pensei.
-Cale a boca já disse .
-Mas não falei nada.
-Mas pensou e posso ler teus pensamentos.
Chegamos a uma rua e tinha um homem abaixado colocando umas coisas no chão, não pude me aproximar mas parecia pipoca, o morcego disse pra mim ficar ali e esperar .
Fiquei parado só olhando, o morcego pegou as coisas e colocou em uma bolsa que carregava, tive a impressão que as coisas ainda estavam la mas ele me mostrou na sacola que tinha pego tudo.
-Temos que ajudar um senhor que tem uma loja de roupas, o movimento da loja esta fraco e temos que fazer movimento se conseguirmos ele nos trará um presente.
-Então trabalhamos por presentes?
-Não, nos trabalhamos para evoluir e servir, mas me diga quem não gosta de presente?
-É morcego, esta certo ,e onde eu entro nesta historia?
-Ué não eras um homem de negocio? Então resolva este problema.
-Se fosse meu negocio fechava os concorrentes e pronto.
-Pois então faça, ninguém disse que não podia.
– E como faço isto?
-Fique perto da pessoa e tente influenciá-la,tipo falando pra ela aumentar os preços da loja dela, se conseguir os clientes vão comprar na outra entendeu?
-Ta não sei se entendi direito mas vamos la.
-Vamos não, você vai eu vou pra casa, tenho outros trabalhos pra fazer.
-Então acho que sou seu escravo é isto?
-Mais ou menos, só não lhe trato assim por que seu amigo pediu atenção especial pra você.
Neste momento vi atrás do morcego mais de trinta pessoas como eu , depois com o tempo entendi que só se vê a realidade quando temos consciência do que somos e onde estamos.
Fui até uma das lojas concorrentes e parei atrás do dono e comecei a falar, no início não pareceu fazer muito efeito mas já no segundo dia ele estava irritado e notei que se acalmava quando eu saia de perto.
Vi no segundo dia que a mulher dele tinha um amante que trabalhava no deposito da loja e que se encontravam quando o marido saia para fazer as cobranças.
Comecei a incomodar a mulher e o amante. Não sei quanto tempo já estava la em meio a brigas de casal quando chegou uma mulher, uma velha ela fumava e jogava a fumaça em tudo que era canto da loja e parecia me seguir, em dado momento botou fogo em um pote e quando dei por mim estava na rua e não consegui mais entrar na loja.
Fui até o morcego e expliquei a ele que estava tudo correndo bem até a chegada da dita velha ele sorriu e disse que me colocaria la de novo.
Fomos até aquela rua onde pegamos o trabalho e o morcego falou com aquele homem através de outra pessoa ,não entendi aquilo também o morcego sumia e aparecia junto de uma outra pessoa,depois ele me explicou que pra falar com os vivos usava uma coisa chamada incorporação.
Bom, ele veio de la com mais umas coisa e um galo.
Não sei o que aconteceu mais consegui voltar a loja.
Fiquei por la mais uns dias e o homem começou a aumentar os preços e o movimento foi caindo os clientes estavam indo para a outra loja a loja do homem que tinha nos dado as oferendas, era assim que o morcego chamava o que ganhava.
Eu recebi cumprimentos do Exu morcego e uma capa preta que meu amigo misterioso tinha enviado pra mim.
Depois de um tempo fiquei sabendo que o movimento caiu tanto que o marido, mandou o único empregado embora e que a mulher dele não gostou e terminaram por se separar e a loja fechou.
Fiz mais alguns trabalhos sempre bem sucedidos, alguns bem complicados .
Eu já tinha aprendido muita coisa, já fazia alguns anos que estava ajudando o morcego quando ele me chamou para uma conversa.
– Silvério lembra quando chegou e foi levado a frente do ser do livro que lhe perguntou se queria servir ou ser servido?
-Lembro sim e sempre quis saber quem era só não perguntava porque aprendi a esperar.
-Bom ele quer falar com você e nós vamos até ele amanhã.
Chegamos no local que não me trazia boas lembranças e parecia haver uma reunião la.
Tinha muitos exus la e escravos não dava pra contar e as mulheres nem me lembre das mulheres eram lindas, mas nenhuma olhou pra mim só falavam com o morcego.
Em meio a conversas ouvi chamarem o meu nome a sala ficou em silencio e fui levado a frente daquele que chamavam Maioral.
Ajoelhe-se disse ele, ou esqueceu que é só mais um escravo.
-Desculpe senhor.
-Morcego! Acredita que ele esteja pronto?
-Sim senhor, acredito.
-É o que veremos .
-E então escravo esta pronto ou não?
-Não sei senhor Maioral.
-Ainda quer servir?
-Sim ,senhor.
-Então levante-se, tenho um trabalho para você será o guardião de um ser de luz e ele se reportara e ele me dirá quando você estiver pronto, quando isto acontecer vira a mim e será recompensado.
-Sim senhor.
– Lhe da rei uma espada e 20 escravos e você será líder entre eles se apresentara com o nome de serpente e se fizer seu trabalho e reconhecer a lei conversaremos em breve.

Fim da quarta parte
A HISTORIA DO Exu Capa preta (Parte V)
Com tristeza deixei meu amigo morcego e fui com meus homens (tive tantos escravos na vida que agora não gostava da palavra)
Encontrar o tal ser que o maioral mandou .
Cheguei a porta de uma velha casa onde um homem fazia curas e fiquei do lado de fora quando apareceu um homem negro (vi pelas mãos pois um capuz cobria seu rosto) e me chamou Serpente seu trabalho é proteger esta casa.
-Desculpe senhor mais não sei seu nome?
-Pode me chamar de José.
-Bom seu Jose pelo jeito o trabalho é simples.
Quando terminei de dizer um bando de seres meio homem meio bicho e criaturas horríveis tentaram invadir a casa o senhor José puxou de uma espada e sozinho deu conta de mais de 10 daquelas criaturas.
-Malditos Quiumbas .
-O que o senhor disse ?
-Quiumbas .
-O que é isto?
-Quando chegou a este plano lhe foi perguntado se queria servir ou ser servido, eles escolheram ser servidos, mas um dia entendem seus erros e aceitam a lei até la ficam na lei da espada.
-Entendi, eu acho , mas pra que precisa de mim e de meus homens se sozinho deu conta deles.
-Por que os seres encarnados são apenas canal para que espíritos como nós possamos trabalhar e quando incorporado não posso defender a todos e este é seu trabalho.
-Entendi ,para que o senhor faça seu trabalho tenho que fazer o meu.
-Vou indo Serpente na volta vamos conversar .
Aquela noite foi calma, mas houve noites de muitas batalhas.
-Como foi seu trabalho seu José ?
-Calmo irmão Serpente.
-Não sei porque me colocaram este nome seu José? -Meu nome na verdade é…
-Não fale seu nome, não importa mais é passado o que importa e que entenda e reconheça seus erros, meu nome também não é Jose.
-Entendo seu José .
Fiquei muito tempo guarnecendo aquela pequena casa e ela cresceu; algumas vezes o morcego vinha me visitar e saber como eu estava.
Um dia resolvi contar minha historia para o senhor José e para o morcego mas eles disseram que já sabiam de toda minha vida,lembrei de meus filhos,minha esposa e do negro Tatá e chorei.
Queria ver meus filhos minha, esposa, negro Tatá não , eu tinha vergonha do que fiz e não teria coragem de falar com ele.
Eu pensava : Em vida era um homem justo até conhecer o maldito dinheiro.
Após ter servido por mais de 30 anos ao senhor José, fui chamado pelo Maioral.
Ao chegar notei que muitos me olhavam e até as mulheres me cortejavam.
Ajoelhei-me em frente ao Maioral .
-Levante-se serpente, não há motivo para ficar de joelhos.
-Sim ,se o senhor diz.
-chegou a hora de sua prova serpente.
-Vejo que ainda usa a capa que lhe foi dada pelo morcego, deixe-me ver sua espada.
-Esta um pouco marcada pelas batalhas senhor.
– Sim.
– Eu soube que procura saber noticias do passado.
-É verdade.
-Pela sua espada vejo que enfrentou muitas batalhas .
-Sim, senhor.
-Sabe Serpente gosto de você, por isso vou lhe dar uma vantagem antes de sua escolha.
-Que escolha senhor?
-Calma serpente já vai saber.
Todos que estavam na volta riam e eu sem entender.
-Seus filhos estão bem, alias muito bem são todos médicos eles reencarnaram na França logo após o terremoto de Lisboa, sua esposa estar reencarnado em pouco tempo em terras brasileiras eu tenho o poder de liberar você para que possa entrar na fila e reencarnar e talvez se tiver sorte case com ela novamente por que não, quando ela casou com você serpente, ela era bem mais nova, ou pode ser que ao renascer seja filho dela de qualquer sorte estar nos braços da mulher que tanto amou.
-Ou você pode escolher ficar aqui.
-Tragam o Negro!Gritou o Maioral .
Reconheci logo, era o negro Tatá, ele estava amarrado com uma coleira de ferro no pescoço e era açoitado, suas costas estavam em carne viva e seus pés mal podiam tocar o chão.
-Reconhece seu amigo Serpente, sabe porque lhe dei o nome de Serpente?
-Por que você é um traidor e egoísta, que trocou amizade pelo dinheiro, o dinheiro que você teria de qualquer forma pois a filha do Osvaldo ia casar com você e ele sabendo da intenção dela usou da sua ingenuidade e ganância para conseguir os diamantes.
Eu não sabia o que falar só pensava na dor que o Tatá estava sentindo.
E o Maioral não parava de falar.
-Serpente traidora você envenenou seus homens para não ter que dividir, matou mulheres e crianças e traiu a confiança do negro.
-Quanto ao negro ele também não é muito diferente de você, ele escondeu parte dos diamantes mas não por medo de ser roubado e sim por medo de dividir, e o pior ao chegar aqui não quis servir quis ser servido.
-Mas chegou a hora da verdade serpente, você pode renascer e tentar novamente ou mandar o negro de volta e ficar no lugar dele, um vai e outro fica na chibata um pagara pelo erro do outro e a escolha é sua serpente.
-Quer servir ou ser servido? Perguntou novamente o Maioral.
Em menos de um minuto revi toda minha vida assumi meus erros e sem pestanejar tomei minha decisão.
-Podem libertar o Tatá eu fico no lugar dele, ele nunca teve chance eu tive tudo e não soube usar, reconheço meus erros e se soube-se trocaria de lugar com ele a muito tempo, para que ele não sofresse mais.
O maioral ordenou que soltassem Tatá e na mesma hora as feridas cicatrizaram e ele correu e me abraçou.
-Vocês aprenderam a lição,reconheceram a lei assumindo seus erros.
-Tatá você tem ainda uma divida com nosso povo, vá e procure cometer menos erros e sirva pra ser servido e tenha a certeza que vocês vão se reencontrar um dia, a amizade e eterna e ninguém se conhece ao acaso.
Tatá foi levado embora e eu sabia que ele ficaria bem.
-Quanto a você Silvério, também tem uma divida com nosso povo e terá tempo para pagar e não será no fogo, será com trabalho, o mundo espiritual é justo e você reconheceu seu erros, por ter agora melhor conhecimento da lei te faço o EXU CAPA PRETA o responsável pela justiça entre nosso povo.

FIM

No ano de 1903 negro Tatá reencarnava para se tornar médium e trabalhar com o Exu Capa Preta.

EXU CAPA PRETA II ( O NOVO ERRO) PARTE 1
Posted on December 17, 2013 by BRUXO MAGO NEGRO
EXU CAPA PRETA ll O Novo Erro ( parte l )

“Pai Jaú, falecido em 1989, ex-atleta de futebol do Corinthians, declarou certa feita numa reunião do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo (SOUESP), que várias vezes havia sido preso e sua libertação ocorrera por ordem direta de Getulio Vargas com quem mantinha relações cordiais.

Muitos terreiros surgiram do kardecismo ou foram fundados por espíritas que recebiam caboclos e pretos-velhos, especialmente foi marcante a influência da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, a qual funcionava no bairro de Neves, em São Gonçalo, fundada a 16 de novembro de 1908, seguindo inicialmente o Espiritismo codificado por Allan Kardec.

Em 1908, o médium Zélio Fernandino de Moraes, sob a influência do Caboclo das Sete Encruzilhadas, recebeu a incumbência de fundar sete centros, os quais foram instalados na cidade do Rio de Janeiro, entre 1930 e 1937, com os nomes de Tenda Espírita. Ressalta-se que tenda, na época, eram as casas que funcionavam em sobrados, comuns na cidade, enquanto o termo terreiro era aplicado aos centros que funcionavam no mesmo plano da rua.

As sete tendas:

Tenda Espírita São Pedro

Tenda Espírita Nossa Sra. da Guia

Tenda Espírita Nossa Sra. da Conceição

Tenda Espírita São Jerônimo

Tenda Espírita São Jorge

Tenda Espírita Santa Bárbara

Tenda Espírita Oxalá.

É importante frisar que a Tenda Espírita São Jorge, ao contrário das demais fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, sempre realizou sessões de exu, contrariando o ritual estabelecido.”

FONTE: wikipedia.org

A Assembléia

-Silencio, silencio idiotas o Maioral vai falar.

-Senhores, peço que mandem seus escravos para fora o assunto que tenho a tratar ainda deve permanecer entre nós apenas.

Não sei exatamente em que ano estávamos mas aquela assembléia ficaria na historia como uma das mais importantes da qual participei, talvez só perdesse em importância pra o dia que fui reconhecido como Exu Capa Preta.

Por meu trabalho e dedicação já havia conseguido uma cadeira bem próximo ao Maioral e o respeito dele e de quase todos os outros Exus, havia ainda alguns com quem a cordialidade era difícil devido ao orgulho ferido por terem perdido o lugar pra mim junto ao conselho .

Depois que Tatá se retirou com o intuito de se preparar para reencarnar eu havia passado por muitas disputas e vencido quase todas, algumas não foram possíveis , mas fiz minha parte e se a derrota veio tenho certeza que não por falta de minha dedicação.

-Senhor muito em breve se abrira mais uma frente de trabalho no plano material e nosso trabalho dobrara e ficara mais difícil, teremos que nos unir mais e mais, pois haverá dias em que irmãos se confrontaram em guerras criadas por aqueles não respeitam ou não conhecem a lei.

-Peço que se preparem para o trabalho, procurem trocar conhecimentos e conhecer rituais de magia, pois serão necessários ao enfrentar inimigos poderosos, ao senhores será concedido o direito de comunicação direta com os encarnados através de incorporação, mas devem apenas orientá-los e nunca devem mexer com o equilíbrio, os senhores são o fiel da balança, não esqueçam que a evolução de cada um ainda depende de suas atitudes e agora serão tentados por ofertas grandiosas, tomem cuidado com o que vão fazer ou voltarão a ser escravos por não respeitarem a lei.

– Com o tempo passarei mais informações, por enquanto tragam as escravas e as bebidas que já chega de conversa.

-Senhor !

-Pode falar Ex Corcunda.

-Tenho duas escravas que já estão prontas para assumir frentes de trabalho sozinhas pois já reconheceram a lei.

– Agora não, apresente nas na próxima assembléia que veremos o que fazer com elas.

-Tragam a bebida logo malditos .

Eu gostava daquelas reuniões, sempre havia muita bebidas e festas com mulheres , mas aquele dia fiquei preocupado com o que o Maioral tinha dito; eu estava acostumado a trabalhar com os encarnados mas o Maioral falou em algo novo e novidades sempre me deixavam preocupado.

O INICIO

Rio de Janeiro ano de 1923.

Bom como estou acostumado a fazer uma corrida na praia antes de ir pra escola e tinha saído mais cedo resolvi passar na casa de meu pai para ver a velha Maria uma empregada que tinha me criado e que era muito bondosa e cheia de carinho por mim e que agora estava adoentada.

Meu pai era um bem sucedido empresário do ramo de cereais, Cereais Augusto. Quem tinha começado a empresa era meu avô que recebeu do seu pai ou do avô dele não me lembro bem da historia, meu pai é que sabe, bom enfim, alguém tinha ou trabalhava num garimpo e ficou rico e até hoje vivemos dos frutos desta herança.

Minha mãe não conheço ela faleceu quando eu nasci e meu pai teve que se arranjar sozinho comigo e com os negócios da família , até o dia que conheceu Andréia a minha madrasta, alias o motivo de não morar mais em casa, mas não quero nem lembrar dela.

Fui criado pela Maria, que eu chamo de velha carinhosamente pois tem 50 anos e meu pai diz que quem tem menos de 70 não é velho.

-Bom dia Junior.

-Não gosto que me chame de Junior, meu nome é Carlos Augusto Maciel Junior mas não me chame de Junior.

-Ta bom meu menino.

-Se me chamar de Junior não será mais minha velha do coração, como esta a senhora?

-Estou melhor, mas hoje a noite vou la, quer ir junto?

O la que ela falava era a casa de Candomblé que ela ia escondida do meu pai que nem imaginava que eu também ia desde pequeno com a Maria, só que na época para escutar os tambores e agora ia pelas meninas que sempre estavam la, mas eu nunca disse pra Maria porque que eu ia la.

-Hoje não posso, cadê o velho já foi trabalhar?

-Sim mas a dona Andréia ainda esta deitada.

-Nem me fale no nome desta mulher.

-Bom tenho que ir , amanhã passo aqui para saber como você esta.

Fui para escola e depois fui trabalhar na loja de meu pai como fazia todos os dias.

O gerente da loja era um senhor muito serio e competente e eu gostava muito dele o único defeito é que gostava de jogo vivia no cassino recém inaugurado em Copacabana mas cada um com seu jeito de viver uns vem para ganhar dinheiro outros para perder.

Na manha seguinte passei pra ver minha velha.

-Bom dia Junior.

-Não vou mais falar com a senhora.

-Vai sim tenho um recado do meu Babalorixa pra você menino.

-Que recado?

EXU CAPA PRETA ll O Novo Erro (Parte ll )

Ele disse pra você parar com as idéias que esta tendo e tentar se acertar com dona Andréia pois ela é boa pessoa.

-Não estou tendo nenhuma idéia e a Andréia não presta, onde já se viu uma mulher de 24 anos casar com um homem de 62 e dizer que é amor, que amor?

-Ela é boa pro seu pai e se não fosse ela não sei o que seria dele, na época ele estava muito triste e não fazia nada certo quando conheceu ela recuperou o gosto pela vida.

-Por favor, uma mulher como ela podia ter o homem que escolhesse e escolheu um velho! Só pode ser pelo dinheiro dele, alias dele só não meu também.

-Acho que você tem é ciúmes do seu pai.

-Sabe de uma coisa volto amanha a senhora não esta bem, fica com Deus.

-Não precisa gritar, não sou velha e nem surda, seu moleque mal agradecido só te falei por que meu Babalorixa pediu pois foi….

-Volta aqui não terminei de falar.

Ela ficou la falando mas eu sai rápido e nem escutei o que ela falava, ora era só que me faltava eu estar com ciúmes do velho, mas afinal não entendi será que eu com ciúmes dela com meu pai ou do meu pai com ela? Que bobagem!

Passou algum tempo e notei que meu pai andava meio preocupado.

-O que esta acontecendo velho?

-Se me chamar de velho vou fazer como a Maria e te chamar de Junior .

-Ta bom pai, mas o que esta preocupando o senhor?

-Nada.

-Como nada, vejo o senhor falando sozinho e quieto pelos cantos ,antes tava sempre sorrindo e brincando com os empregados.

-Como antes, antes do que?

-Não sei, por isso estou lhe perguntando.

-Se quer mesmo saber vou te falar porque isto tudo um dia será seu e quero que aprenda a cuidar mesmo.

-Mas do que o senhor esta falando?

-Alguém esta roubando o caixa da loja e pelo jeito também vendendo cereais escondido pois fizemos a conferencia do estoque e não fechou.

-Pai não fique tão preocupado logo o senhor descobre ou então de um aumento pra os empregados que param de roubar é fácil resolver.

-Acha que não pago bem meus empregados? Muitos já trabalharam como escravos pra nossa família o dinheiro que temos hoje veio das minas de diamantes onde escravos davam a vida por uma pedra e não ficavam com nada.

-Tá pai .

-Tá pai, é só isso que sabe dizer? Não estou preocupado com o dinheiro isso temos de sobra ,o que me preocupa é que só consegue nos roubar alguém em quem temos confiança e é isto que não aceito.

-Deixa que vou descobrir quem é, alias já tenho minhas desconfianças.

– E quem seria?

-Simples o seu Osvaldo.

-Que isso menino o seu Osvaldo é o melhor gerente que já tive e depois de você seria o meu braço direito.

-Então porque ele é o gerente e eu um empregado no balcão?

-Pela experiência filho.

-Bom mas ele gosta de jogo o senhor sabia?

-Sabia sim, mas o que ele faz com o dinheiro dele é problema dele.

-É mas se o dele terminar e fácil jogar com o nosso.

-Bom então vou seguir seu conselho e dar um aumento pra ele e ver se ele esta precisando de algo, talvez esteja em algum aperto, não justifica mas o desespero as vezes leva um homem correto a cometer erros.

-Vou ficar de olho nele e o Zeca do deposito.

-Porque não vai jantar la em casa hoje?

-O senhor sabe por que.

-A Andréia sempre fala bem de você não sei por que não gosta dela.

-Qual quer dia prometo jantar com o senhor.

A Desconfiança

-Seu Osvaldo venha a te minha sala gostaria de conversar com o senhor.

-Já vou indo doutor Augusto, quer que eu leve um café?

-Não vamos tomar algo mais forte já é quase hora do almoço.

-Que isso doutor Augusto!

-Ora Osvaldo preciso tomar algo e quero conversar com o senhor, ser dono da empresa tem suas vantagens.

-Tá certo o senhor quem manda doutor.

-Sente ai fique a vontade a conversa não é de negócios.

– O que seria então doutor Augusto.

-Para de me chamar de doutor, somos amigos.

-É o habito.

-O que me diria se eu lhe disse-se que estou sendo roubado por alguém de confiança?

-Diria que esta confiando nas pessoas erradas.

-Pois é mas o que posso fazer não tenho nem certeza de quem seja só sei que estou sendo roubado,por que o caixa da empresa não tem fechado.

-Porque não me disse?

-Por que não queria criar um clima de desconfiança entre funcionários e pensava poder descobrir e resolver sem fazer alarde pois talvez a pessoa esteja passando por alguma dificuldade e por isso esta cometendo este erro.

-Entendo.

-Conversei com meu filho hoje e só ele e você sabem disto .

-Conheço uma pessoa que pode lhe ajudar a descobrir quem é.

-Não vou colocar alguém investigando aqui.

-Não é isso, não sei qual sua fé mas conheço um babalorixa, um pai de santo que pode lhe dar o caminho .

-Você acredita nestas coisas Osvaldo?

-Já tive provas; pegue o endereço, não custa.

-Vou mesmo, se ele não descobrir pelo menos peço faça alguma coisa para juntar a Andréia e o Junior para um jantar, se ele for mágico claro.

-Já vi que não acredita.

-Me de o endereço vou lá amanhã pela manhã.

A Curiosidade

-Bom dia dona Maria.

-Bom dia seu Augusto, já vou servir seu café.

-Não precisa eu não vou trabalhar hoje pela manhã.

-Vai pegar uma praia seu Augusto?

-Não tenho tempo pra estes luxos como a Andréia e também não gosto de arreia; me diga uma coisa Maria, a senhora acredita nestas coisas de cartomante, espiritismo , pai de santo?

-Claro que acredito, posso perguntar por que da pergunta?

-Por que um amigo esta com problema e perguntou se eu conhecia alguém.

-Se o senhor quiser tenho e endereço de um que é muito bom.

– Se meu amigo precisar eu pego com a senhora; bom vou indo tenho que encomendar uns materiais e depois vou trabalhar, diga a Andréia que não venho almoçar hoje.

O Bom Filho a Casa Torna

-Escravo já mandei chamar o Exu Capa Preta.

-Ele já esta chegando meu senhor; olha ele ai.

-Então vá de uma vez imundo antes que eu lhe mande pro buraco de onde por mim não tinhas saído.

-Mandou me chamar Maioral?

-Sim, sabe que admiro seu trabalho e seu esforço Silvério.

-Por que me chamou de Silvério senhor?

-Quero que lembre seu nome, pois um amigo seu esta chegando do plano terrestre.

-Gostaria de esquecer este nome e não me lembro de nenhum amigo que possa estar chegando, meu amigo no plano terrestre era o negro Tatá mas reencarnou faz pouco tempo e estou me preparando para trabalhar com ele quando ele estiver pronto.

-Sei, mas as coisas mudaram, ele já desencarnou e esta sendo preparado para a nova realidade pois não se adaptou ainda.

-Como o que aconteceu ? Venho esperando a oportunidade de trabalhar diretamente no plano terrestre e me foi dito que seria com ele.

-E será com ele só vai demorar um pouco mais, ele não sofrera longas punições desta vez.Os mestres do plano superior vão mandar ele pra nós apenas para uma conversa e deixar as vibrações mais afinadas para não corrermos o risco de acontecer o que aconteceu.

-Mas o que aconteceu?

-Ele foi envenenado, é só o que posso lhe falar agora. Será-lhe permitido velo, mas não falara com ele.

-Entendo , em que ano estamos ?

-É 1940 mas ele desencarnou em 1923, logo se apresentara aqui e voltara com certeza ao plano terrestre entre os anos de 1967 e 1973.

FINAL DA SEGUNDA PARTE

Texo
Carlos Fontoura
(Bruxo Mago Negro)

Inspirado pelo
Exu Destranca Rua

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