VERSÃO JUDAICA SOBRE JESUS

A versão judaica do nascimento de Jesus está relatada no Sepher-Toledoth-Yeshu com as seguintes palavras:
“Maria, tendo-se tornado mãe de um Filho, chamado de Yehôhûah, e tendo o menino crescido, ela e confiou aos cuidados do Rabino Elhânân, e a criança fez rápidos progressos nos conhecimentos, pois ele era bem-dotado de espírito e de compreensão.
“O Rabino Yehôshûah, filho de Perahiah, continuou a educação de Yehôshûah (Jesus), depois de Elhânân, e o iniciou no conhecimento secreto; mas, tendo o rei Jannaeus ordenado matar os iniciados, Yehôshûah Ben-Perahiah fugiu para Alexandria, no Egito, levando consigo o menino.”
Durante a permanência em Alexandria, continua a história, foram recebidos na casa de uma senhora rica e erudita (a personificação do Egito). O jovem Jesus achou-a bela, não obstante “um defeito nos olhos”, e o declarou ao seu mestre. Ouvindo-o, o mestre ficou tão zangado com o fato de o seu discípulo ter encontrado algo de bom no país da servidão, que “ele o amaldiçoou e expulsou o jovem de sua presença”. Segue-se então uma série de aventuras contadas em linguagem alegórica que demonstram que Jesus completou a sua iniciação na Cabala judaica com uma aquisição adicional da sabedoria secreta do Egito. Quando a perseguição cessou, ambos retornaram à Judéia. (Talmude babilônico, Mishnah Sanhedrin, cap. XI, fol. 107 b, e Mishnah sotah, cap. IX, fl. 47 a. Ver também Éliphas Lévi, La science des esprits.)
Os agravos verdadeiros impostos a Jesus são mencionados pelo erudito autor de Tela Ígnea Satanae (as flechas de fogo de Satã) como sendo dois: 1°: que ele descobriu os grandes mistérios dos seus Templos por ter sido iniciado no Egito; e 2°; que ele os profanara aos expô-los ao vulgo, que não os compreendia e os desfigurava. Eis o que dizem:
“Existe, no santuário de Deus vivo, uma pedra cúbica, sobre a qual estão esculpidos os caracteres sagrados, cuja combinação dá a explicação dos atributos e dos poderes do nome incomunicável. Essa explicação é a chave secreta de todas as ciências ocultas da Natureza. É o que os hebreus chamam de Schem ha-Mephorash. Esta pedra está guardada por dois leões de ouro, que rugem quando alguém se aproxima. Jamais se perde de vista os portes do templo e a porta do santuário abre-se apenas uma vez ao ano, para admitir apenas o Sumo Sacerdote. Mas Jesus, que aprendera no Egito os `grandes segredos’ durante a iniciação, fabricou para seu próprio uso chaves invisíveis e, assim. pôde penetrar no santuário sem ser visto. (…) Copiou os caracteres gravados na pedra cúbica e os escondeu em sua coxa (Arnóbio conta a mesma história de Jesus e narra como ele foi acusado de roubar ao santuário os nomes secretos do Santíssimo; foi com o conhecimento desses nomes que ele pôde operar todos os milagres. Adv. gent., I, 43.); depois, saindo do templo, meteu-se pelas estradas e começou a espantar as pessoas com os seus milagres. Os mortos era ressuscitados à sua ordem, os leprosos e os obsedados eram curados. Ele obrigou as pedras, que jaziam há séculos no fundo do mar, a subirem à superfície até que formassem uma montanha, de cujo pico ele pregava”. O Sepher-Toledoth diz ainda que, incapaz de deslocar a pedra cúbica do santuário, Jesus fabricou uma de argila, que mostrou às nações e a fez passar pela verdadeira pedra cúbica de Israel.
Essa alegoria, como as outras desse tipo de livro, deve ser “lida nas entrelinhas” – tem o seu significado secreto e deve ser lida duas vezes. Os livros cabalísticos explicam o seu significado místico. O mesmo talmudista diz, mais adiante, em essência, o seguinte: Jesus foi lançado à prisão e ali permaneceu por quarenta dias; depois foi flagelado como um rebelde sedicioso; depois apedrejado como blasfemador numa praça chamada Lud e finalmente crucificado. “Tudo isso” – explica Lévi – “porque revelou ao povo as verdades que eles [os fariseus] teriam guardadas para seu próprio uso. Ele havia adivinhado a teologia oculta de Israel, havia-a comparado com a sabedoria do Egito e havia deduzido a razão de uma síntese religiosa universal”.
Apesar da circunspecção com que devemos aceitar qualquer coisa que as fontes judaicas afirmem sobre Jesus, é preciso reconhecer que em algumas coisas elas parecem ser mais corretas em suas afirmações (quando e seu interesse direto não é posto em causa) do que os nossos bons mas zelosos padres. Uma coisa é certa: Tiago, o “Irmão do Senhor”, nada diz sobre a ressurreição. Não chama Jesus nem de “Filho de Deus”, nem de Cristo-Deus. Apenas uma vez, falando de Jesus, chama-o, de “Senhor da Glória”, mas os nazarenos faziam a mesma coisa quando falavam de seu profeta Yôhânân bar Zachariah, ou João, filho de Zacarias (São João Batista). Suas expressões favoritas para o seu profeta são as mesmas usadas por Tiago ao falar de Jesus. Um homem nascido “da semente de um homem”, “Mensageiro da Vida”, da Luz, “meu Senhor Apóstolo”, “Rei brotado da Luz”, e assim por diante. “Não queirais pôr a fé de nosso Senhor JESUS Cristo, o Senhor da Glória”, etc., diz Tiago em sua epístola (II, 1), dirigindo-se talvez a Cristo como DEUS. “A paz esteja consigo, meu Senhor JOÃO Abo Sabo, Senhor da Glória!” diz o Codex nazaraeus (II, 9), que se sabe dirigir-se a um profeta. “Condenastes e matastes o Justo”, diz Tiago (v, 6). “Yôhânân (João é o Justo, ele veio no caminho da justiça”, diz Matheus (XXI, 32, texto siríaco).
Tiago nem mesmo chama Jesus de Messias, no sentido que lhe atribuem os cristãos, mas alude ao cabalístico “Rei Messias”, que é Senhor de Tsabaôth (v, 4) e repete muitas vezes que o “Senhor” virás, mas em nenhuma parte o identifica com Jesus. “Tende pois paciência, irmão, até a vinda do Senhor. (…) Tende paciência, pois a vinda do Senhor está próxima” (V. 7, 8). E ele acrescenta: “Tomai, irmãos, ao profeta [Jesus] que falou em nome do Senhor como um exemplo de aflição, de trabalho e de paciência”. Embora nesta versão a palavra “profeta” esteja no plural, trata-se de uma falsificação deliberada do original, cujo propósito é evidente. Tiago, logo depois de ter citado os “profetas” como um exemplo, diz: “Vede (…) vós ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim do Senhor” – combinando assim os exemplos desses dois caracteres admiráveis e colocando-os num mesmo nível de perfeita igualdade. O próprio Jesus não glorificou o profeta do Jordão? “Mas que saíste a ver? Um profeta? Certamente vos digo, e ainda mais do que um profeta. (…) Na verdade vos digo que entre os nascidos de mulheres não se levantou outro profeta maior que João Batista.
Os nazarenos eram conhecidos como baptistas, sabeus e cristãos de João [mandeus]. Sua crença era a de que o Messias não era o Filho de Deus, mas apenas um profeta que seguiria João. “Yôhânân, o Filho de Abo Sabo Zachariah, diria a si mesmo: `Aquele que crer em minha justiça e em meu BATISMO será recebido em minha associação; partilhará comigo do assento que é a morada da vida, do supremo Mano e do fogo vivo” (Codex Nazaraeus, II, p. 115). Orígenes observa que “há alguns que dizem que João [Batista] era ungido (Christos)” (Orígenes, In Lucam homiliae, Hom. XXIV, cap. III). O Anjo Rasiel dos cabalistas é o Anjo Gabriel dos nazarenos e foi o escolhido pelos cristãos, dentre toda a hierarquia celeste, para ser o mensageiro da “anunciação”. O gênio enviado pelo “Senhor da Celsitude” é chamado também de GABRIEL Legatus. Paulo deve ter tido os nazarenos em mente quando disse: “E depois de todos os outros, ele [Jesus]
também foi visto de mim como dum aborto” (I Coríntios, XV, 8), lembrando assim aos seus ouvintes a expressão usual dos nazarenos, que chamavam os judeus de “abortos, ou nascidos fora do tempo”. Paulo orgulha-se de pertencer a uma heresia.
Quanto as concepções metafísicas dos gnósticos, que viram em Jesus o Logos e o Ungido, começaram a ganhar terreno, os cristãos primitivos separaram-se dos nazarenos, que acusaram Jesus de perverter as doutrinas de João e de modificar o batismo do Jordão. Diz Milman que, “na medida em que ele (o Evangelho) ultrapassou as fronteiras da Palestina e o nome de `Cristo’ adquiriu santidade e veneração nas cidades orientais, ele se tornou uma espécie de personificação metafísica, enquanto a religião perdeu seu objeto moral e assumiu o caráter de uma teogonia especulativa (Hist. of Christianity, p. 200; ed. original 1840). O único documento semi-original que nos chegou da época apostólica primitiva é os Logía de Mateus. A doutrina verdadeira e autêntica permaneceu nas mãos os nazarenos, nesse Evangelho segundo São Mateus, que contém a “doutrina secreta”, os “Diabos de Jesus”, mencionados por Papias. Esses ditos eram, sem dúvida, da mesma natureza dos pequenos manuscritos que eram colocados nas mãos dos neófitos, candidatos às Iniciações nos mistérios, que continham os aporrheta, as revelações de alguns ritos importantes e de símbolos. Não fosse assim, por que Mateus teria tomado tantas precauções para mantê-los em “segredo”?
JESUS – Também chamado de Cristo ou Jesus Cristo. É preciso estabelecer uma distinção entre o Jesus histórico e o Jesus mítico. O primeiro era essênio e nazareno e foi mensageiro da Grande Fraternidade para pregar os antigos ensinamentos divinos, que deveriam ser a base de uma nova civilização. Pelo espaço de três anos foi Mestre divino dos homens e percorreu a Palestina, levando vida exemplar por sua natureza, compaixão e amor a humanidade. Operou quantidade enorme de prodígios, ressuscitando mortos, curando doentes, devolvendo a visão aos cegos, fazendo andar os paralíticos e realizando muitos outros atos que, por seu caráter extraordinário, foram qualificados de “milagrosos”. A sublimidade de suas doutrinas ressalta principalmente em seu célebre Sermão da Montanha. Como Iniciado que era, ensinou também doutrinas esotéricas, porém as reservava unicamente para “os poucos”, isto é, para seus discípulos eleitos. Ao Jesus históricos foram atribuídos vários feitos legendários, que o converteram em outro personagem puramente mítico, uma verdadeira cópia do deus Krishna, tão venerado na Índia.Imagem

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