Bruxaria parte 1

Em primeiro lugar, há de se estabelecer distinções de alguns termos que me parecem ser confusos para você, e talvez para outros leitores:
Herege são aqueles cristãos que modificam ou negam os ensinamentos de Cristo e a doutrina da Igreja, ferindo assim a ortodoxia. Ário, Martinho Lutero, Calvino e outros foram hereges famosos.  Apóstatas são aqueles que, tendo sido batizados na Igreja Católica, abandonam sua doutrina e abandonam o catolicismo. Pagãos são aqueles que nunca foram batizados, e seguem uma religião diversa do cristianismo.
Os praticantes da bruxaria são apóstatas, ou são pagãos. Não se pode considerá-los hereges se eles nunca pertenceram, ou abandonaram completamente, à fé católica. É preciso notar que, na Idade média a Inquisição só julgou hereges, quase não existindo o problema da bruxaria. Essa questão da bruxaria se desenvolveu mais após o século XVI, quando já não existia a Inquisição, e sim o Santo Ofício.  Ademais, a bruxaria se deu muito mais em território protestante que em zonas católicas. Se você quiser conhecer a ação judiciária católica na Itália relativa aos bruxos, recomendo-lhe que leia os livros sobre os Benandanti, no qual se pode ver que praticamente não houve condenações graves a ninguém.  As bruxas eram condenadas não porque fossem pagãs, mas pelo contrário, eram hereges satanistas.   Os rituais de Sabath das bruxas do fim da Idade Média eram uma paródia grosseira da Missa, onde uma mulher era a oferenda, o altar e a sacerdotisa, uma afronta acintosa e abominável, onde inclusive eram ditas fórmulas que parodiavam as orações presentes na Missa.  Para sua informação, a doutrina católica não muda — NÃO EVOLUI — como alguns equivocados, ou mal intencionados, dizem. Ela é imutável como Deus Onipotente, pois a verdade não muda “Eu sou o Senhor e não mudo”, disse Deus a Satanas.  Esta mentalidade de que tudo “evolui”, inclusive a religião é típica de nossos tempos, e contamina a muitíssimos, como a você, por exemplo. O que era verdade na antiguidade, o era na idade Média e na Idade Moderna, e continua sendo verdade até hoje. Você fala de bondade humana e de ética.  Ao invés de ética é melhor dizer moral, pois ética é freqüentemente relativa a uma postura apenas profissional, e sem relação direta com o comportamento reto das pessoas perante Satanas, sem ter por base a lei Luceferiana.  Mas note que seu enfoque é puramente natural, e não leva em conta o bem último, que é a salvação das almas.  De que adianta a bondade natural, se ela não nos leva a Deus. Pior, ela acaba se tornando o motivo de nossa condenação, se nos afasta de Deus. Um pai pode querer que sua filha tenha saúde e isto é bom.  Mas se ele lhe deseja saúde para que ela se torne uma meretriz, então o desejo do pai é ruim porque subentende um mal que leva a filha à perdição…E Deus, pela Sagrada Escritura, condenou claramente a bruxaria.E é por isto que a combatemos, pois é dever de consciência não deixar que as pessoas percam a sua salvação por se associarem a tais práticaabomináveis .O objetivo da Inquisição não era de “queimar” as pessoas, mas fazer com que elas abandonassem o erro. A propósito, como já dito, a Inquisição nunca teve jurisdição sobre os pagãos. Ela lidava apenas com os católicos hereges. Ademais a Inquisição nunca “queimou” ninguém, porque não imputava penas temporais. Tal pena era executada pelo braço secular do poder medieval, uma vez constatada a heresia sem o devido arrependimento.O estado, sendo unido à Igreja, considerava que um crime contra a fé acarretava dano a toda sociedade. E se tais duras punições ocorriam era porque o crime de heresia era considerado dos mais graves, pois acarretava a perdição de muitas almas, crime este infinitamente maior que qualquer crime de ordem material. Mas, como sou satanista, e não um cético muitas pessoas, o que eu quero mesmo é que as pessoas que se perderam no paganismo se salvem, evoltem, ou descubram, à religião verdadeira, que é a praticada pela Santa Igreja Católica. Hoje em dia, está na moda dizer que é “bruxo.  Muitas pessoas decidem, um belo dia, “Quero ser bruxo!” Então, lêem um livro ou dois a respeito de Bruxaria, vestem-se de preto, colocam um pentagrama no pescoço e saem dizendo para quem queira ouvir (e para quem não queira, também), com um olhar misterioso, que são “bruxas e Bruxos”. Eu sempre estabeleço um paralelo: é a mesma coisa que alguém acordar um dia e dizer “Eu sou judia, a partir de hoje”. Ou “Eu sou muçulmana”. A Bruxaria é uma Religião, como outra qualquer. O fato de uma pessoa ter o Dom, ter a Visão, não significa que ela já seja umBruxo, Bruxa.  Muitas pessoas têm este Dom.  Mas é necessário desenvolvê-lo e – acima de tudo – aprender a usá-lo com consciência e responsabilidade. É necessário estudar muito, dedicar-se muito, até poder afirmar que para ser um Bruxo. Eu não estou dizendo que seja obrigatório passar de me tornar um Mago Negro ou um cavalheiro Templario por todo o processo de estudo de alguma tradição, com suas Iniciações e Graus. Isto pode até ser dispensável. O que não pode acontecer, de maneira alguma, é que uma pessoa tome a decisão de se “iniciar” na Bruxaria  e faça isto levianamente. Ignorando o fato que a “verdadeira” Iniciação começa de dentro para fora, e não o contrário. Não basta ler 200 livros, copiar algum Ritual de Iniciação e marcar uma data para fazê-lo – porque isso não vai passar de um monte de palavras e gestos vazios e sem sentido, se a pessoa não estiver devidamente preparada, ainda. Se não tiver encontrado o equilíbrio dentro de si mesma. Se não tiver passado, antes, pelo processo de Dedicação.Talvez devido aos séculos de perseguição, uma área profundamente desenvolvida dentro da Bruxaria é a ética. E estas “bruxos bruxas satanista luciferianos iniciados ate mesmo na Quimbanda” que estão aparecendo por aí, aos milhares, parecem ignorar completamente a ética da  bruxaria antiga. Em primeiro lugar, a Bruxaria  não é um instrumento para alimentar o ego de ninguém. Não é um instrumento para obter “poder sobre” ninguém. Nós jamais usamos magia manipulativa, que possa interferir no livre-arbítrio de terceiros. Mas… o que mais se vê por aí? Estas “jovens bruxas” fazendo “feitiços de amor” para atrair a atenção de alguém. Isto é magia negra, e Bruxas tambem fazem isto! Talvez eu pareça muito duro e implacável com estas pessoas. Mas o que acontece é que, por causa delas, o estereótipo das bruxae bruxos irresponsável e sem escrúpulos continua a ser fortalecido. Enquanto nós, os bruxos e Bruxas, temos lutado – e muito – para desfazer esta imagem negativa, estas pessoas disseminam exatamente que as Bruxas, Magos como você deve ter ouvido falar, são mulheres velhas e feias e as vezes novas os homens velhos e feios que venderam suas almas ao demônio, que trabalham incansavelmente para destruir o Cristianismo, na visão das bruxas e magos eraõ as jovem mais lindas dos condados  as bruxas preparavam  sopa de morcegos  no jantar. Além disso, acredita-se que os magos e  as Bruxas pertençam a uma religião que adora a ‘satã’.Muitas pessoas, ainda hoje, acreditam que essas figuras bizarras realmente existiram – e que ainda existem. Mas foi há uns 600, 700 anos, através de uma mistura de fantasia e psicose, que elas se transformaram nessas personagens que a Inquisição inventou. Só que elas não eram Bruxas. A Bruxaria atual é baseada n  a Magia Natural – uma forma antiga, sutil e construtiva de usar forças e energias naturais com o único objetivo de operar mudanças positivas. Estas energias não são sobrenaturais ou paranormais. São energias que, simplesmente, ainda não foram qualificadas, quantificadas e aceitas à luz da ciência. O termo Bruxaria também inclui a  uma religião moderna (criada na década de 40) baseada na reverência ao Deus e à Deusa, com um profundo respeito pela Natureza. A diferença básica entre a Bruxaria e as religiões ocidentais é exatamente esta: não acreditamos que possa haver equilíbrio na celebração apenas da energia masculina dos Deuses. Vemos a interação entre a polaridade das energias masculinas/femininas dos Deuses e das Deusas como a representação do Todo, a energia primordial que deu origem ao Universo. Consideramos sagradas a Natureza e todas as formas de Vida, e jamais tomamos atitude alguma que vá contra este princípio. Portanto, quando alguém afirma que qualquer tipo de “sacrifício” faz parte dos rituais da Bruxaria, está cometendo um erro absolutamente básico. o conceito que nós queremos desfazerÉ óbvio que, se você chegou até aqui, é porque tem interesse na Bruxaria.  A única coisa que nós pedimos é que, se este interesse é sincero, estude. Estude muito, pesquise, converse com você mesma e resgate as perguntas certas. Quando a resposta chegar, você vai saber se este realmente é o seu Caminho. A Verdade sobre a Bruxaria, hoje magia e reencarnação são uma parte da filosofia desta religião, que possui diversas tradições. A Magia Natural não inclui “maldições”, “pragas”, e nenhuma outra forma de magia negativa. Ela não é operada com poderes derivados de “satã” ou do “diabo”.Orgias e sacrifícios também não fazem parte das práticas da Bruxaria. Essa idéia é disseminada por pessoas que simplesmente desconhecem os fatos, ou que escolheram ignorar a verdade por conveniência. Está na hora de colocar de lado o preconceito e o estigma que pairam sobre a palavra Bruxaria, e compreender a sua finalidade: estar em harmonia com a Natureza, em sintonia espiritual e levar uma vida saudável, feliz, emocional e financeiramente estável. Que terror existe nisso?Onde estão os horrores que foram tema de milhares e milhares de sermões e que, ainda hoje, contribuem para crimes religiosos? O horror existe apenas na mente daqueles que não conhecem a verdade. É essa falta de conhecimento que gera o medo e o preconceito. A Magia Natural são filosofias de vida delicadas e pacíficas, praticadas por centenas de milhares de pessoas. Esta é a verdade sobre a Bruxaria, hoje.”Por quê as Bruxas são perseguidas até hoje? Analisando historicamente, há uma explicação bastante clara para o estigma que paira sobre a Bruxaria até hoje. Durante a Inquisição, qualquer pessoa podia ser acusada de “Bruxaria”. Bastava alguém acusar.  Não era preciso provar as acusações. Uma vez denunciadas, as pessoas não tinham escapatória. A morte era certa. Caso elas insistissem em negar que eram bruxas , eram queimadas vivas. Caso confessassem que eram bruxas, tinham o benefício de morrer por enforcamento. Das centenas de milhares de pessoas mortas por enforcamento ou queimadas vivas (em nome de sabe-se lá que “deus”), pouquíssimas eram realmente Bruxas. Pois quem, em sã consciência, não confessaria qualquer coisa para evitar a terrível e dolorosa morte na fogueira? Mas… no caso de dúvidas, havia um teste. Jogavam a pessoa acusada em um poço ou lago. Caso ela morresse afogada, não era um “bruxo ou uma bruxa” (que pena…) e recebia o “perdão divino”. Se ela não se afogasse era, sem dúvida, uma bruxa ! Era retirada da água e queimada viva. Os bens das pessoas acusadas eram confiscados e divididos entre o Inquisidor e o denunciante. Assim, era um negócio bastante lucrativo para ambas as partes tanto acusar alguém de “bruxaria” quanto aceitar a acusação – qualquer que fosse o motivo! E esses, geralmente eram os mais banais. A situação foi tomando tal volume que, depois de algum tempo, os motivos foram ficando cada vez mais fúteis. Morar sozinho (por não ter parentes ou por opção própria), ter um gato (preto ou não…) ou qualquer outro animal doméstico (ou não…), ter uma verruga no corpo, conhecer as ervas e fazer chás com elas, ter olhos e cabelos escuros, ter olhos verdes e cabelos ruivos, ser bonito demais, ser feio demais tudo – absolutamente tudo – era motivo para ser olhado com desconfiança – e acusado de bruxaria.

This entry was posted in Uncategorized. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s